O Irã voltou a ameaçar ataques contra instalações no Oriente Médio enquanto espera uma resposta formal dos Estados Unidos sobre o plano para reabrir o Estreito de Ormuz. A declaração foi feita nesta terça-feira (29), em meio à disputa entre os dois países sobre as condições para liberar a passagem marítima.
O presidente americano, Donald Trump, rejeitou a proposta iraniana. Mesmo assim, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que espera uma posição oficial de Washington nos próximos dias. Ele está em Nova York para a Assembleia Geral da ONU.
O Irã mantém bloqueado o tráfego comercial em Ormuz desde o início da guerra, no fim de fevereiro, quando ataques americanos e israelenses atingiram o território iraniano. Antes do conflito, a via era usada para transportar 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
Washington respondeu com um bloqueio aos portos iranianos para tentar impedir o transporte de petróleo por Teerã. Os Estados Unidos dizem que petroleiros ainda conseguem atravessar o estreito, mas o governo iraniano contesta essa versão.
O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, que também preside o Parlamento iraniano, afirmou que instalações da região poderão ser atacadas caso a segurança do país não seja garantida. Em vídeo divulgado pela televisão estatal, ele declarou: “se não garantirem nossa segurança, nenhuma infraestrutura permanecerá a salvo”.
Condições apresentadas pelo Irã
Segundo Araghchi, intermediários do Catar levaram ideias às partes e devem apresentar novamente o tema aos americanos antes de transmitir a resposta de Washington. Na segunda-feira (28), o ministro disse que os cataris esperavam uma solução nesta terça-feira (29).
A proposta iraniana prevê a reabertura de Ormuz, mas Teerã condiciona a medida a um cessar-fogo de sete dias em todo o Oriente Médio, incluindo o Líbano. O país também pede o desbloqueio de ativos congelados no exterior, a suspensão das sanções contra seu setor de petróleo e o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos.
Na semana passada, Araghchi participou de conversas com os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. As negociações tiveram resultados limitados.
Hossein Mohebi, porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, afirmou que a passagem de poucos navios não representa a reabertura do estreito. Para ele, a circulação normal seria de pelo menos 125 navios por dia, levando no mínimo 20 milhões de barris de petróleo e derivados. Mohebi também ameaçou atacar ou minar embarcações que tentem atravessar.








