São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Idade não impede doação de órgãos em vida, mas exige avaliação cuidadosa

Ministério da Saúde informa que idosos podem doar em vida, desde que exames indiquem segurança para doador e receptor.

Idade não impede doação de órgãos em vida, mas exige avaliação cuidadosa

A idade, sozinha, não impede que uma pessoa seja doadora viva de órgãos. Antes da cirurgia, porém, o médico precisa avaliar a história clínica, doenças anteriores e as condições gerais de saúde do doador.

Em 2023, Arivaldo Sampaio, então com 69 anos, doou um rim ao filho, que havia perdido a função do único rim depois de passar por hemodiálise quase diária. A família se colocou à disposição para a doação, e os exames mostraram compatibilidade total entre pai e filho.

“Tive a felicidade de descobrir que eu era compatível. Esse momento, para mim, foi um momento de graça”, contou Arivaldo.

Quais órgãos podem ser doados em vida

De acordo com o Ministério da Saúde, uma pessoa viva pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões. Em todos os casos, é necessária compatibilidade sanguínea.

A legislação brasileira permite a doação entre parentes de até o quarto grau e entre cônjuges sem autorização judicial. Quando não existe esse grau de parentesco, a doação ainda pode ocorrer, mas depende de autorização judicial.

Depois do transplante, Arivaldo relatou ter tido uma recuperação tranquila. Três anos mais tarde, mantém uma rotina de atividade física pelo menos cinco vezes na semana, com corrida, musculação e alongamento. Ele também faz consultas e exames uma vez ao ano no Hospital Universitário de Brasília (HUB), que coordenou o processo.

Avaliação para pessoas com mais de 60 anos

O médico nefrologista Geraldo Freitas, da Unidade de Transplantes do HUB, explicou que a análise de doadores vivos é feita com atenção especial porque precisa proteger tanto quem doa quanto quem recebe.

Quando o possível doador tem mais de 60 anos, a investigação tende a ser ainda mais detalhada. São considerados exames de sangue e urina, a função dos rins, exames de imagem e a avaliação cardiovascular.

O envelhecimento pode aumentar a possibilidade de hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares, condições que podem elevar os riscos da cirurgia e da retirada do órgão. A decisão também leva em conta o estado geral de saúde, a expectativa de vida, a possibilidade de permanecer saudável com um único rim e a perspectiva de funcionamento do órgão no receptor.

“Envolve uma avaliação completa do doador”, afirmou Freitas.

A idade avançada, de forma isolada, não representa exclusão automática. Se não houver doenças que impeçam a doação, a função renal for adequada e a avaliação médica indicar boas condições para o procedimento, a pessoa pode ser considerada doadora.

Em 2025, o Brasil registrou 4.335 doadores efetivos, taxa de 20,3 doadores por milhão de pessoas, o maior número já registrado. Mesmo assim, 49,4 mil brasileiros aguardam atualmente na fila de transplantes, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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