São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Por que o relógio do Recife não acompanha exatamente o horário do Sol

A capital pernambucana segue o UTC-3 por uma decisão histórica, embora o horário solar local esteja mais próximo do UTC-2.

Por que o relógio do Recife não acompanha exatamente o horário do Sol

Quando o relógio marca meio-dia no Recife, o Sol está na posição correspondente a aproximadamente 12h40 no horário solar local. A diferença ajuda a explicar por que o amanhecer pode ocorrer antes ou pouco depois das 5h e o pôr do sol antes das 18h em determinadas épocas do ano.

O horário usado na capital pernambucana não é considerado um erro. Ele resulta de uma decisão administrativa tomada na implantação da hora legal no Brasil, que buscava organizar viagens, navegação, comunicações e atividades comerciais em um período de avanço das ferrovias e da industrialização.

Como surgiu a hora oficial

Um decreto assinado em 1913 pelo presidente Hermes da Fonseca criou a chamada hora legal. A regra entrou em vigor em 1º de janeiro de 1914 e marcou o início da adoção dos fusos horários no país. Antes disso, cada cidade podia ajustar os relógios pela posição aparente do Sol, conhecida como hora solar aparente.

O chefe da Divisão de Serviços da Hora Legal Brasileira do Observatório Nacional, Ricardo Carvalho, explica que a velocidade dos deslocamentos tornou difícil manter horários diferentes entre cidades. Com a locomotiva, passou a ser necessário definir qual hora deveria ser seguida durante viagens entre localidades.

O professor Fredson Pereira, do Departamento de Ciências Geográficas da Universidade Federal de Pernambuco, afirma que a hora solar dependia da observação do Sol. Ao meio-dia, por exemplo, o astro atingia a altura máxima em determinado ponto.

O Observatório Nacional continua responsável por conservar e divulgar a Hora Legal Brasileira. A instituição também oferece, em seu site, a consulta da hora exata em cada fuso horário.

Por que Recife ficou no UTC-3

O Recife está a 2 horas, 19 minutos e 25 segundos do Meridiano de Greenwich. Pela localização, a cidade está a leste do meridiano de 30º, associado ao fuso -2, enquanto o meridiano -3 fica a 45º. Por isso, o Sol costuma nascer cerca de 40 minutos antes do horário indicado pelo relógio.

Mesmo assim, Recife e todo o estado de Pernambuco passaram a seguir o mesmo horário do Rio de Janeiro. Fernando de Noronha, que pertence a Pernambuco e fica mais a leste, usa o fuso com duas horas de diferença.

A decisão não foi isolada. De acordo com Fredson Pereira, a escolha foi nacional e administrativa. O critério também levou em conta a grande extensão longitudinal de Pernambuco e a ausência de um acidente geográfico importante que permitisse dividir o estado entre dois fusos.

Com o decreto, João Pessoa atrasou 40 minutos e 36 segundos; Natal, 38 minutos e 46 segundos; Maceió, 37 minutos e 2 segundos; e Aracaju, 31 minutos e 46 segundos. Em Manaus, os relógios foram adiantados em quatro segundos.

A adoção completa da hora oficial em localidades distantes do Rio de Janeiro exigiu cerca de cinco anos de adaptação de equipamentos e disseminação dos sinais. O processo só ocorreu plenamente a partir de 1918.

Houve proposta para mudar o fuso?

A diferença entre o relógio e o Sol já motivou abaixo-assinado e propostas no Senado para levar o litoral leste do Nordeste ao fuso UTC-2, alinhado a Fernando de Noronha. As ideias legislativas receberam 32 dos 20 mil apoios necessários para avançar, e o abaixo-assinado não alcançou assinaturas suficientes.

Os especialistas citados avaliam que uma mudança exigiria estudos sobre geografia, economia, transporte, energia e educação. Para Fredson Pereira, Pernambuco ficaria uma hora à frente de Brasília, com custos de transição e adaptação. Ricardo Carvalho também aponta possíveis dificuldades para relações comerciais, bancárias e para a bolsa de valores, que seguem o fuso da capital.

A conclusão apresentada pelos especialistas é que Pernambuco não tem um horário errado: segue um horário legal que não coincide com o solar. A escolha histórica buscou manter o estado e o litoral nordestino dentro de um mesmo fuso.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5