O exército etíope entrou neste sábado (3) em Mekele, capital do estado regional de Tigré, no norte do país. A chegada ocorreu horas depois de dirigentes e combatentes da Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF) deixarem a cidade em veículos.
Uma fonte humanitária informou que forças federais da Etiópia e grupos aliados foram identificados em diferentes pontos de Mekele por pessoas que estão no local. Até o momento, não havia registro de confrontos na cidade.
As comunicações em Tigré continuam gravemente prejudicadas, o que impede uma verificação independente da situação. Também não foi confirmada a tomada do aeroporto de Mekele, localizado a cerca de 12 quilômetros da cidade. Moradores demonstraram preocupação com a possibilidade de desordem diante da saída das forças responsáveis pela segurança pública.
Avanço no Tigré
Os combates no norte da Etiópia foram retomados em 23 de setembro, depois de meses de tensão. O conflito envolve o exército etíope, a TPLF e as milícias Fano, do estado vizinho de Amhara.
A TPLF governou a Etiópia por quase três décadas, até 2018. Em abril, o grupo expulsou a administração regional indicada pelo governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed. Na segunda-feira, as forças etíopes entraram no sul de Tigré e avançaram em direção a Mekele. Na frente leste, a TPLF também deixou áreas que havia conquistado na região vizinha de Afar.
Em um vídeo divulgado na quinta-feira, o líder da TPLF, Debretsion Gebremichael, reconheceu aparentemente os recuos de suas forças e defendeu a adoção de ações de guerrilha. “Nossa estratégia é atingir o inimigo onde quisermos”, afirmou.
A disputa entre Adis Abeba e a TPLF começou em novembro de 2020. Depois de dois anos de guerra, um acordo encerrou os combates no final de 2022, mas pontos importantes do acordo não foram totalmente implementados.
A escalada também elevou as tensões na região. Na sexta-feira, a Etiópia acusou a Eritreia de “hostilidade e beligerância”, fechou sua embaixada em Asmara e expulsou dez diplomatas eritreus. A Eritreia respondeu rompendo relações diplomáticas. No mesmo dia, Adis Abeba declarou persona non grata um diplomata egípcio, e o Cairo adotou medida semelhante.








