A aparência passou a ocupar um papel importante na comunicação política. Roupas, acessórios, cortes de cabelo, óculos e sapatos podem ajudar a construir uma imagem reconhecível e a aproximar um candidato de determinados grupos.
Esse efeito ganhou força com a televisão e se ampliou com os canais digitais. Na disputa presidencial americana de 1960 entre John F. Kennedy e Richard Nixon, o primeiro debate televisionado mostrou como a imagem diante das câmeras podia influenciar a percepção do público. Kennedy foi visto como mais seguro e preparado, em parte por parecer mais adequado ao novo meio.
Na política, falar de moda não significa apenas avaliar se alguém se veste bem ou mal. A escolha visual pode transmitir uma mensagem, representar um grupo e criar conexão. Para que uma peça ou acessório se transforme em símbolo, porém, é necessário repetir seu uso até que ele seja associado àquela pessoa.
Acessórios que ajudam a marcar uma imagem
O chapéu panamá usado por Luiz Inácio Lula da Silva é um dos elementos mais comentados de seu visual. Lula também já apareceu com outros adornos de cabeça, como o chapéu de couro relacionado à imagem eternizada por Luiz Gonzaga e ao diálogo com o eleitorado nordestino.
Outro item foi o boné com a frase O Brasil é dos Brasileiros, usado como contraponto ao boné de Donald Trump. O chapéu panamá, além de ter relação com uma recomendação médica, cria um equilíbrio entre uma aparência mais estruturada e elementos acessíveis, como a trama artesanal e os materiais naturais.
Geraldo Alckmin, vice de Lula, chamou atenção pelas meias coloridas. O acessório informal contrasta com a alfaiataria tradicional e acrescenta um elemento inesperado a uma composição convencional. A escolha também busca humanizar uma imagem política mais tradicional e dialogar com um público progressista.
Cores e informalidade na disputa
Romeu Zema recorre a camisas e camisetas coloridas, embora mantenha uma base de roupas mais tradicional. Flávio Bolsonaro combina referências do conservadorismo com elementos associados ao legado do pai. Entre essas escolhas estão as cores da bandeira em roupas formais e as camisetas da seleção em momentos de interação.
Ronaldo Caiado segue uma linha mais clássica, com camisa clara e terno azul. Já Renan Santos adota peças informais, como camisetas, blazers e jaquetas mais desconstruídas. Com isso, procura se apresentar como um outsider e se afastar visualmente da política tradicional, em escolhas que lembram as de Pablo Marçal na disputa pela prefeitura de São Paulo.






