A República Democrática do Congo começou neste sábado (19) uma campanha para avaliar se a vacina Ervebo pode proteger contra a cepa Bundibugyo do ebola, responsável pela epidemia atual. O imunizante foi desenvolvido para combater a cepa Zaire, a mais comum do vírus, e é o único aprovado e disponível em larga escala contra a doença.
A epidemia, declarada em maio, já provocou 3.639 mortes e infectou 7.541 pessoas, conforme o balanço mais recente do Instituto Nacional de Saúde Pública. O surto é considerado o mais letal da história do país.
A vacinação será estudada durante nove a 12 meses entre 20.000 trabalhadores da linha de frente nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, no nordeste da República Democrática do Congo. A região é o epicentro da epidemia.
O que será avaliado
A cepa Bundibugyo não tem imunizante nem tratamento específico até o momento. Duas vacinas estão em fase de ensaios clínicos, mas ainda não foram certificadas. Por isso, a Organização Mundial da Saúde propôs testar a Ervebo enquanto os estudos avançam.
“Essa vacina é eficaz contra a cepa Zaire, mas não sabemos em que porcentagem poderia ser eficaz contra a cepa Bundibugyo”, afirmou o professor Steve Ahuka, um dos coordenadores da resposta sanitária no país.
Para a doutora Nana Mimbu, coordenadora de pesquisa da organização Médicos Sem Fronteiras, o imunizante pode oferecer proteção cruzada contra a cepa que circula atualmente.
O ebola é transmitido pelo contato com fluidos corporais e causa febre hemorrágica. Nos últimos 50 anos, o vírus provocou mais de 15.000 mortes na África. Entre 2018 e 2020, a pior epidemia registrada até então na República Democrática do Congo deixou quase 2.300 mortos entre 3.500 infectados.








