Um celular roubado em Fortaleza levou a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) a uma organização criminosa que, segundo as investigações, movimentou cerca de R$ 250 milhões com tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
A apuração também apontou a ligação de um policial civil com o grupo. O número do agente estava salvo na agenda de Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como Boss ou Gordão.
Como o celular revelou a rede
Laércio mantinha dois aparelhos: um para negociar drogas e outro para assuntos pessoais. O telefone usado nas transações foi roubado por um motociclista durante um assalto em um sinal de trânsito de Fortaleza.
Ao tentar recuperar o aparelho, Laércio passou a usar o celular pessoal. Segundo a polícia, esse era o único telefone com arquivos sincronizados na nuvem. Por esse número, ele continuou tratando de carregamentos de drogas e pediu ajuda a criminosos do Ceará. As conversas permitiram identificar integrantes e conexões da organização.
O promotor de Justiça Pablo Reis afirmou que Laércio atuava como intermediário entre grandes fornecedores e chefes de facções criminosas. “O Laércio é um matuto”, disse. No tráfico, matuto é o termo usado para essa função.
As agendas e conversas analisadas pelo MPRJ também confirmaram que Laércio era identificado pelo codinome Boss, palavra que significa chefe em inglês.
Investigação sobre policial
A Polícia Civil identificou o telefone de um policial civil na agenda do traficante. Os investigadores apontam que os dois fizeram viagens incompatíveis com a renda declarada do agente.
O corregedor-geral da Polícia Civil, Alexandre Capote, informou que o policial foi chamado para prestar esclarecimentos, mas ficou em silêncio. Uma das empresas ligadas a ele, segundo a investigação, teria sido usada para ocultar valores provenientes do tráfico.
A ligação entre o policial e Boss ajudou os investigadores a chegar a outros integrantes do grupo.
A investigação continua. A Polícia Civil identificou que a mesma estrutura logística usada para o tráfico de drogas também enviava fuzis e drones a traficantes do Rio de Janeiro e de outros três estados. O celular roubado em Fortaleza ainda não foi localizado.








