A reconstrução mamária precisa ser planejada junto com o tratamento do câncer, e não apenas depois da retirada da mama. A escolha envolve a segurança oncológica, as condições clínicas e o que a paciente espera do resultado. Também é possível adiar a reconstrução ou decidir não fazê-la.
O que pesa na escolha
A cirurgia pode começar durante a mastectomia ou ser feita posteriormente. Na opção imediata, a primeira etapa acontece na mesma operação e pode preservar melhor determinadas estruturas da mama, além de evitar um período sem volume mamário. Essa alternativa, porém, não é indicada para todos os casos.
O tipo e a extensão da cirurgia, a possibilidade de radioterapia, os tratamentos complementares, o tabagismo, as características da pele e a preferência da mulher entram na avaliação. A radioterapia exige atenção porque pode modificar os tecidos da região operada e influenciar a técnica escolhida e o resultado. Também existem estratégias em fases, com etapas planejadas ao longo do tratamento.
O tratamento do câncer vem em primeiro lugar. A reconstrução deve ser integrada ao cuidado oncológico sem comprometer a segurança e levando em conta o que ainda será necessário nos meses seguintes.
Implante ou tecido do próprio corpo
Os implantes podem ser colocados já na primeira cirurgia em alguns casos. Em outras situações, a equipe usa inicialmente um expansor, dispositivo que distende os tecidos aos poucos até permitir a colocação da prótese definitiva.
Há ainda a reconstrução autóloga, feita com pele e gordura da própria paciente, geralmente retiradas do abdome ou de outras regiões. Algumas dessas técnicas exigem cirurgias mais longas e equipes com experiência em microcirurgia. Elas também deixam cicatrizes na área de onde o tecido foi retirado, mas não dependem de um implante para formar o volume principal da mama.
A decisão considera a anatomia, a quantidade e a qualidade dos tecidos disponíveis, cirurgias anteriores, doenças associadas, tratamentos previstos e preferência individual. Uma alternativa adequada para uma mulher pode não ser a melhor para outra.
O resultado pode exigir novas etapas
A reconstrução não termina necessariamente quando o volume da mama é recuperado. Podem ser necessários ajustes para melhorar a simetria, além da reconstrução do mamilo e da aréola. Quando apenas uma mama é reconstruída, procedimentos na outra, como mastopexia, redução ou aumento, podem aproximar tamanho, formato e posição.
A aréola também pode ser refeita mais tarde ou reproduzida com tatuagem. Cicatrizes fazem parte do processo, e a sensibilidade precisa ser discutida com clareza: a mama reconstruída não necessariamente terá a mesma sensibilidade da original. Técnicas para preservar ou recuperar essa capacidade estão sendo estudadas e usadas em situações selecionadas.
A mulher deve receber informações sobre as opções disponíveis, as possíveis etapas, as cicatrizes, a recuperação e a influência da radioterapia ou de outros tratamentos. A escolha compartilhada ajuda a conciliar o cuidado contra o câncer, as condições clínicas e as expectativas de cada paciente.
Dra. Giovanna Gabriele — CRM 133.713 | RQE 48.195 / 48.196, médica mastologista especializada em reconstrução mamária e membro da Brazil Health.







