Mensagens e comprovantes de pagamento analisados pela Polícia Federal (PF) mostram que Daniel Vorcaro, do Banco Master, tratava como prioritários dois negócios: o patrocínio do filme “Dark Horse”, ligado ao senador Flávio Bolsonaro, e o contrato com o escritório de advocacia Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Os acordos envolviam cerca de R$ 130 milhões cada, conforme os documentos obtidos na Operação Compliance Zero. Um dos negócios destinaria recursos à produção de um filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro. O outro previa pagamentos ao escritório da esposa de Moraes.
Cobrança pelo filme
Em uma conversa com o cunhado Fabiano Zettel, em 28 de janeiro de 2025, Vorcaro reclamou do atraso de uma parcela do patrocínio. A mensagem foi incluída pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no pedido de abertura de inquérito que envolve o banqueiro, seu grupo, Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
“Esse e o mais importante disparado Não pode falhar mais”, escreveu Vorcaro às 21h. Depois que Zettel perguntou se deveria somar o valor ao pagamento do dia seguinte, o banqueiro respondeu: “Soma”.
O acordo com Flávio Bolsonaro foi firmado em dólares e correspondia a R$ 131 milhões pela cotação da época. Pelo menos R$ 61 milhões haviam sido pagos. O senador responde a um inquérito policial e afirma que os recursos são privados.
Contrato com escritório
Em 15 de março de 2025, o empresário e ex-ministro das Comunicações Fábio Faria cobrou Vorcaro por atrasos nos pagamentos ao escritório de Viviane Barci de Moraes. Faria foi quem aproximou o banqueiro do ministro Alexandre de Moraes.
Após a cobrança, Vorcaro pediu ao funcionário Ângelo Silva que regularizasse o pagamento. Na mensagem, classificou o contrato como o mais importante do grupo e ordenou que a transferência fosse feita imediatamente.
Em 14 de julho de 2025, durante uma conversa sobre débitos de R$ 42 milhões, Vorcaro autorizou o pagamento de R$ 15 milhões e determinou que o escritório fosse incluído na lista. O contrato com o Barci de Moraes era de R$ 134 milhões, por três anos. Pelo menos R$ 80 milhões foram pagos.
A PGR pediu a abertura da investigação ao ministro André Mendonça, que autorizou o procedimento em julho passado. O STF tem sessão marcada para a próxima terça-feira (15/9) para analisar um julgamento que pode resultar na abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes.







