SÃO PAULO — O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu o projeto de desenvolvimento nacional e a atuação conjunta entre governo e setor produtivo durante um jantar realizado na noite desta sexta-feira (25). O encontro reuniu mais de 500 lideranças empresariais, financeiras e produtivas do país e foi promovido pelos grupos Prerrogativas, Esfera Brasil e Parlatório.
Mercadante apresentou o BNDES como uma ferramenta de apoio à neoindustrialização, à inovação e à transição ecológica. Ele afirmou que 68% dos recursos do banco operam a taxas de mercado e associou esse resultado a níveis historicamente baixos de inadimplência.
“Não há país no mundo que tenha feito transição ecológica ou inovação de fronteira sem a partilha de risco do Estado”, disse o presidente do BNDES.
Indústria, energia e soberania
Na avaliação de Mercadante, a agenda produtiva precisa caminhar junto com a sustentabilidade. Entre as prioridades citadas estão projetos de descarbonização, restauração florestal, energia limpa e transição energética. Ele também defendeu o uso de recursos estratégicos de combustíveis e da robustez da Petrobras para financiar infraestrutura e iniciativas voltadas à economia verde.
O presidente do BNDES afirmou ainda que minerais críticos e terras raras devem ser processados no país, com geração de valor e fortalecimento da indústria nacional. Como exemplo de capacidade tecnológica construída com participação do Estado e do mercado, citou a Embraer.
Contas públicas e democracia
Ao tratar do equilíbrio fiscal, Mercadante mencionou a tradição de responsabilidade fiscal dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e o trabalho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele disse, porém, que o ajuste das contas não deve ser atribuído somente ao Poder Executivo.
Segundo o presidente do BNDES, precatórios e a expansão das emendas orçamentárias pelo Congresso Nacional estão entre os desafios estruturais que exigem responsabilidade compartilhada entre os Poderes da República.
No encerramento, Mercadante defendeu a união entre Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin como base para a recuperação da normalidade democrática e a pacificação das instituições. Também convocou empresários e agentes econômicos a defenderem a democracia e a Constituição diante do extremismo, da violência política e de tentativas de desestabilização da ordem republicana.







