O estepe deixou de ser uma solução única nos carros novos. Além da roda reserva convencional, há modelos com estepe temporário, kit de reparo ou pneus run-flat. Algumas configurações também podem sair de fábrica sem roda sobressalente, desde que cumpram as exigências previstas na regulamentação brasileira.
A principal orientação para o motorista é consultar o manual do proprietário. A pressão, a velocidade máxima, a distância permitida e até a posição de instalação do sobressalente variam conforme o veículo.
Estepe convencional
A roda reserva convencional permite substituir o pneu danificado sem as mesmas restrições de um estepe temporário. Entre os carros zero-km, aparece principalmente em picapes e veículos destinados a usos mais severos, como Toyota SW4, Ford Ranger e Volkswagen Saveiro.
Essa opção oferece mais autonomia depois de um furo, o que pode ser útil em viagens ou em regiões sem assistência próxima. Por outro lado, a roda completa ocupa mais espaço e aumenta o peso do veículo. Além disso, o sobressalente não precisa ser idêntico às outras rodas: pode ter roda de aço ou especificações diferentes.
Estepe temporário
Mais estreito, leve e compacto, o estepe temporário é comum em modelos como Volkswagen T-Cross, Toyota Corolla Cross, Honda HR-V e Fiat Fastback. Ele serve para permitir que o motorista chegue a um local onde possa reparar ou substituir o pneu original.
A Resolução Contran 913/2022 determina que a fabricante informe a velocidade máxima de uso e que o manual recomende o reparo do conjunto original com brevidade. A norma não estabelece uma distância máxima única para todos os carros. Assim, limites como 50 km ou 100 km só devem ser adotados quando estiverem indicados pela fabricante.
Diversas montadoras usam 80 km/h como limite para aplicações de seus estepes temporários. No Toyota Corolla Cross, o sobressalente tem medida 155/70 R17, enquanto versões com rodas de 18 polegadas usam pneus 225/50 R18. Essa diferença é uma das razões para não dirigir normalmente com o estepe instalado.
A calibragem também pode ser diferente da usada nos pneus principais. No Honda HR-V, por exemplo, a especificação do estepe é de 60 psi (4,2 bar). O valor correto deve ser verificado no manual, mesmo quando a roda reserva nunca foi utilizada.
Não há uma regra geral para instalar o estepe fino sempre na dianteira ou na traseira. O procedimento depende do veículo. Durante o uso, a recomendação é dirigir com suavidade, evitar frenagens e mudanças bruscas de direção e reparar o pneu original o quanto antes.
Kits de reparo e pneus run-flat
Alguns carros substituem a quinta roda por um kit formado, geralmente, por compressor elétrico e selante. É o caso de configurações dos modelos BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin Plus e BYD Song Pro DM-i.
O kit reduz o peso e ocupa pouco espaço, mas não resolve todos os danos. Cortes, avarias no flanco ou problemas na própria roda podem impedir o reparo. O selante precisa estar dentro do prazo de validade, e o compressor deve permanecer em condições de funcionamento.
O pneu run-flat tem flancos reforçados para sustentar o peso do veículo após a perda de pressão. A solução aparece principalmente em modelos premium, como BMW 320i e determinadas configurações das famílias BMW Série 3, Série 4 e MINI.
Com ele, o motorista pode não precisar parar imediatamente para trocar uma roda em várias situações. Porém, o pneu costuma ser mais caro, e a fabricante define os limites de velocidade e distância depois da perda de pressão. Por isso, ele também é uma solução emergencial, não um pneu para rodar indefinidamente vazio.
O que dizem as regras
A legislação admite diferenças entre o diâmetro externo do conjunto sobressalente e o das rodas de uso normal quando a fabricante comprova que isso não prejudica a dirigibilidade, a capacidade de carga, a tração e a segurança. O veículo também precisa ter espaço para transportar a roda danificada depois da troca.
A Resolução Contran 993/2023 estabelece os equipamentos obrigatórios para veículos em circulação. Já a Resolução 913/2022 trata de requisitos relacionados a rodas e pneus sobressalentes temporários e a sistemas alternativos. Dependendo do projeto, pode haver dispensa da roda e do pneu sobressalentes, do macaco e da chave de roda.
A homologação é disciplinada pela Portaria Senatran 990/2022, que trata do procedimento para emissão do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT). Na entrega técnica, fabricante ou concessionária deve informar ao comprador as observações e restrições de uso do sobressalente ou do sistema alternativo.
Isso diferencia um veículo projetado e homologado sem estepe de outro que teve a roda reserva retirada pelo proprietário, embora ela fizesse parte da configuração prevista.
Exigências para o pneu temporário
O pneu destinado exclusivamente ao uso temporário precisa ser identificado de forma permanente como Uso Temporário ou Temporary Use Only e seguir o processo de certificação aplicável do Inmetro.
Esse tipo de pneu é dispensado de alguns requisitos de desempenho exigidos dos modelos convencionais, como os relacionados à aderência em pista molhada, à resistência ao rolamento e à emissão de ruído. Para utilização do sobressalente, a Resolução Contran 913 estabelece profundidade mínima de 1,6 mm nos sulcos.
Assim, não existe um único estepe melhor para todos os carros. O convencional oferece mais autonomia, mas ocupa mais espaço e pesa mais. O temporário economiza espaço, porém deve ser usado até o reparo. O kit é compacto, mas não atende a qualquer avaria. O run-flat permite continuar o deslocamento após a perda de pressão, dentro dos limites definidos pela fabricante.







