Carros com telas sensíveis ao toque e comandos digitais podem dificultar tarefas simples para motoristas idosos, como regular o ar-condicionado, o rádio e a suspensão. A mudança ocorre ao mesmo tempo em que mais pessoas com 60+ passam a ter acesso à internet, mas ainda enfrentam obstáculos para lidar com serviços digitais.
Um motorista de 77 anos trocou o sedã antigo por um SUV moderno cuja tela ocupa metade do painel. Por meio dela, é possível controlar funções que antes eram acionadas por botões. Como ele não sabia desligar o aquecedor e ligar o ar-condicionado, a temperatura interna chegou a 37 graus, depois de uma configuração feita por uma criança de 10 anos.
A dificuldade não aparece apenas nos veículos. Para abrir uma conta e receber o benefício previdenciário, é necessário ter cadastro no site oficial do governo, baixar o app da Previdência e seguir as etapas do processo. Para quem usa o celular apenas para fazer e receber chamadas, esse caminho pode ser desgastante.
Dados do IBGE divulgados no começo de julho mostram que a proporção de pessoas idosas com acesso à internet subiu de 44,9% em 2019 para 74,5% em 2025. Mesmo assim, esse grupo continua sendo minoria entre os usuários da rede.
A falta de familiaridade com ferramentas digitais também aumenta a exposição a golpes. Segundo pesquisa do DataSenado, quatro entre dez idosos já caíram em golpes virtuais.
O envelhecimento e os carros
Os idosos representam 16,6% da população brasileira, o equivalente a 33 milhões de pessoas. As projeções demográficas indicam que, em dez anos, o Brasil terá 45 milhões de pessoas com mais de 60 anos e ultrapassará o número de crianças e adolescentes.
Esse grupo também compra carros. Entre os Baby Boomers, nascidos entre 1946 e 1964, 88% possuem carro e trocam de modelo com frequência. Os maiores compradores de carros 0 Km estão entre 30 a 44 anos e 45 a 60 anos.
Em março do ano passado, a Volkswagen abandonou a estratégia de comandos 100% sensíveis ao toque e voltou a adotar botões analógicos. A mudança indica uma possível resposta da indústria ao avanço da tecnologia e às dificuldades de quem precisa apenas ajustar o ar-condicionado do carro.







