São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Carros

Caminhões autônomos avançam em minas, portos e rotas de carga

Ambientes controlados e trajetos previsíveis fazem dos veículos pesados os candidatos mais próximos da autonomia completa.

A autonomia completa deve chegar primeiro aos caminhões, e não aos carros de passeio. A avaliação é de Carlos Delich, presidente da ZF América do Sul, que vê nas rotas de carga e nas operações logísticas um cenário mais previsível para a tecnologia.

No transporte rodoviário, os veículos costumam seguir trajetos definidos, percorrer longos trechos de rodovias e ter menos interação com o trânsito urbano. Para Delich, essa combinação reduz a complexidade das tarefas necessárias para a condução sem motorista. “Os caminhões autônomos de nível 5 tendem a chegar antes dos carros totalmente autônomos porque operam em um ambiente muito mais previsível e controlado”, afirmou.

Onde os caminhões já são testados

A autonomia nível 4 em caminhões já é usada em algumas situações no cenário internacional. Em 2019, a Scania apresentou o AXL, um conceito sem cabine que recebe monitoramento remoto e foi desenvolvido para trabalhar em minas, canteiros de obras e outras áreas controladas.

No Reino Unido, o porto de Felixstowe utiliza dezenas de caminhões sem cabine no transporte contínuo de contêineres. A operação busca melhorar o fluxo das cargas, reduzir o tempo de movimentação e aperfeiçoar a logística.

A Iveco também apresentou um projeto de veículo pesado ainda em testes. A proposta é usar o caminhão no transporte de cargas entre Madrid e Zaragoza, na Espanha, em um percurso de cerca de 300 km. O projeto pretende avançar o nível de complexidade da tecnologia.

Agricultura e mineração estão entre os setores que já utilizam veículos autônomos. Além disso, praticamente todas as principais fabricantes de caminhões mantêm divisões voltadas ao desenvolvimento desse tipo de veículo. Volvo, Daimler, dona da Mercedes-Benz, Man e Tesla estão entre os exemplos citados. Startups também desenvolveram conceitos de veículos comerciais que dispensam o condutor.

O cenário brasileiro

No Brasil, a adoção deve começar por atividades dos setores primário e secundário. Delich afirma que mineração, agronegócio, portos e centros logísticos reúnem condições para receber a tecnologia antes de outras operações.

A Vamos, empresa de locação de veículos pesados, já oferece o Agronomous. Trata-se de uma versão modificada de um caminhão da Volkswagen, preparada para operar de forma autônoma nos campos.

A evolução no país depende de aspectos técnicos, regulatórios e de infraestrutura. “O desafio agora é garantir uma integração segura e escalável”, disse Delich. Sensores, radares, câmeras, softwares avançados e processamento embarcado já permitem ampliar a automação, segundo o executivo.

A expectativa apresentada por ele é que a produção de veículos autônomos nível 4 continue crescendo até 2030. Os modelos de nível 5 devem começar a ser inseridos no mercado apenas em 2040.

O que significam os níveis de autonomia

A classificação usada pela SAE, entidade de engenharia, vai do nível 0 ao nível 5:

  • Nível 0: não há autonomia. A aceleração e a condução são manuais, embora o veículo possa ter recursos como frenagem de emergência.
  • Nível 1: há uma ferramenta simples de autonomia, como o controle de cruzeiro adaptativo ou um sistema que ajusta a velocidade. O motorista precisa manter as mãos no volante.
  • Nível 2: pelo menos dois sistemas de assistência funcionam ao mesmo tempo, atuando na condução e na frenagem ou aceleração. A supervisão humana continua necessária. O Autopilot, da Tesla, e o Super Cruise, da Cadillac, da General Motors, são classificados nessa categoria. O nível 2+ acrescenta melhorias para situações de trânsito mais complexas, mas ainda exige atenção humana.
  • Nível 3: o veículo controla condução, frenagem e aceleração e consegue se adaptar melhor ao ambiente. A ultrapassagem de veículos lentos é uma das funções possíveis. O motorista precisa assumir o controle se a tarefa autônoma não for concluída.
  • Nível 4: o sistema conduz o veículo e corrige falhas por conta própria, mas funciona apenas em ambientes controlados. A intervenção humana pode ser necessária em condições adversas, como o clima.
  • Nível 5: representa a autonomia plena. O veículo opera em qualquer lugar e condição, sem comando humano. Modelos com esse nível ainda não existem.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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