São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Carros

Compradores de carros PCD relatam demora e falhas de informação na entrega

Pedidos de GWM e Honda ultrapassaram os prazos informados, enquanto mudanças nas regras e no teto de isenção estão em análise.

A demora na entrega de veículos comprados por pessoas com deficiência (PCD) levou clientes a trocar de concessionária, reclamar de pendências e acompanhar processos que se estenderam além do prazo informado. Em alguns casos, a documentação pode vencer e obrigar o comprador a refazer etapas da aquisição.

Um dos relatos é o de Bruno Silva, de Belo Horizonte (MG), que pediu um GWM Haval H6 para o pai, Álvaro, em 26 de fevereiro. O SUV foi entregue somente em 19 de agosto. Durante a espera, a concessionária informou que os documentos haviam vencido, e Bruno mudou de loja.

A nota fiscal saiu em 16/07, e o veículo foi recebido 33 dias depois. Bruno disse que, apesar de a concessionária informar que havia uma pendência, ele tinha recebido a confirmação de que a documentação estava aprovada. “Mesmo com tudo em conformidade, sempre alegavam haver alguma pendência”, afirmou.

Tatiana Sayuri Tokyo, de São Paulo (SP), também enfrentou demora. O pedido de um Honda City Sedan LX foi protocolado em 11 de junho, mas o carro chegou em 26 de agosto. O período ultrapassou o prazo de 30 dias informado pela concessionária.

Tatiana escolheu a cor azul e foi questionada sobre a possibilidade de optar por outra tonalidade para reduzir a espera, sem garantia de que isso aconteceria. Ela recebeu a informação de que o carro seria produzido no fim de julho. Depois, foi avisada de que o veículo estava pronto, mas aguardava o faturamento. O boleto foi gerado em 11 de agosto, o pagamento ocorreu em 18 de agosto e a instalação de acessórios exigiu mais alguns dias.

O que dizem as marcas

A GWM informou que trabalha com prazo máximo de 90 dias. Dos 1.646 pedidos de veículos PCD em andamento, 1.543 tinham espera inferior a 59 dias. A empresa declarou que 98,1% dos pedidos estavam dentro do prazo estabelecido.

Segundo a marca, a escolha de uma cor específica em determinada região do Brasil pode aumentar a espera. A GWM afirmou ainda que prioriza os pedidos mais antigos e mantém o mesmo cronograma da venda convencional.

Também existem reclamações, em grupos de proprietários nas redes sociais, sobre atrasos em veículos da GAC e da Nissan comprados com isenção para PCD. Não houve retorno dessas empresas.

Regras e possível mudança no limite

A compra PCD é feita por venda direta: a montadora fatura o veículo em nome do comprador pessoa física. Por isso, o processo é diferente do usado em vendas convencionais e envolve mais burocracia. As concessionárias costumam direcionar esse atendimento a vendedores mais experientes.

Em agosto de 2026, o Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade ampliar o acesso aos benefícios fiscais para pessoas com deficiência. A decisão também alcançou portadores do nível 1 do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e casos de deficiências físicas leves. Os trechos da Lei Complementar 214/2025 que excluíam esses grupos foram considerados inconstitucionais.

Outra possível alteração está no Projeto de Lei 2079/26, que propõe elevar de R$ 200 mil para R$ 250 mil o preço máximo dos veículos com dispensa do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O texto será analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. O limite era de R$ 70 mil até 2021, passou para R$ 140 mil depois dessa data e chegou a R$ 200 mil a partir de 2022, valor que continua em vigor.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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