São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Vacinação na gravidez ainda fica abaixo da meta contra gripe e covid

Ministério da Saúde aponta cobertura de 55% contra covid-19 e 63% contra influenza entre gestantes em 2025.

Vacinação na gravidez ainda fica abaixo da meta contra gripe e covid

A vacinação de gestantes contra gripe e covid-19 continua abaixo da meta definida pelo Ministério da Saúde. Em 2025, 55% das grávidas receberam a vacina contra a covid-19 e 63% foram imunizadas contra a influenza. Para os dois imunizantes, o objetivo é alcançar 90% do público-alvo.

Os dados preliminares deste ano mostram melhora na vacinação contra a influenza, com cobertura de 76%. No caso da covid-19, porém, o índice permanece em 55%.

Casos graves e mortes

Levantamento do Ministério da Saúde mostra que pelo menos 286 gestantes ou puérperas tiveram síndrome respiratória aguda grave (SRAG) depois de uma infecção por algum subtipo do vírus Influenza entre 2022 e o início de agosto de 2026. Desse total, 25 morreram, incluindo sete neste ano.

No mesmo período, a covid-19 provocou pelo menos 205 casos graves e 21 mortes entre gestantes e puérperas. Durante 2020, 2021 e 2022, foram registrados 3.547 casos de SRAG comprovadamente causados pelo coronavírus nesse grupo. Houve 811 óbitos.

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo, relaciona os índices à acomodação em relação à gripe e à desinformação sobre a vacina contra a covid-19. Ela afirma que ainda existe a ideia de que a vacina contra a covid-19 seria experimental, o que nega.

A vacinação reduziu os casos e as mortes por SRAG entre gestantes e puérperas. Cientistas brasileiros compararam os registros antes e depois do início da imunização e constataram que a taxa mensal de casos caiu para um terço, enquanto a mortalidade ficou quase cinco vezes menor.

Mesmo com essa redução, influenza e covid-19 respondem juntas por quase 30% dos casos de SRAG em gestantes e puérperas registrados neste ano no Brasil. Entre as mortes, a participação passa de 50%.

Proteção para a mãe e o bebê

O Ministério da Saúde oferece pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quatro vacinas para gestantes além das doses contra influenza e covid-19: hepatite B, dT, dTpa e VSR. A vacina contra febre amarela pode ser indicada em situações específicas para grávidas que vivem ou vão viajar para áreas de risco.

A ginecologista Giuliane Lajos, da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirma que a gestação aumenta a vulnerabilidade a infecções. Com o avanço da gravidez, o espaço pulmonar diminui e algumas funções do corpo são alteradas.

A imunização também ajuda a proteger o bebê depois do nascimento. As vacinas contra influenza e covid-19 só começam a ser aplicadas aos 6 meses de idade. Até lá, o recém-nascido depende dos anticorpos transferidos pela mãe pela placenta.

Segundo Flávia Bravo, ensaios clínicos indicam que a vacinação contra a gripe pode reduzir em torno de 70% a ocorrência da doença nos primeiros meses de vida. Ela também afirma que a vacinação contra a covid-19 aumenta a quantidade de anticorpos no cordão umbilical.

Uma análise com dados de mais de 1,2 milhão de gestantes em todo o mundo apontou menor risco de parto prematuro, morte fetal e anomalias congênitas entre mulheres vacinadas contra a covid-19.

Conferência da carteira

A médica de saúde da família Catarina Jatobá de Souza, da Clínica da Família Ricardo Lucarelli, no centro do Rio de Janeiro, conta que a carteira de vacinação é conferida na primeira consulta do pré-natal. Quando há alguma dose pendente, a gestante é encaminhada para a sala de vacinação.

A orientação também é reforçada por agentes comunitários durante as visitas domiciliares. Eles lembram as pacientes de levar a carteira às consultas e avisam a equipe quando há atraso na vacinação.

Nataly Saldanha, moradora da capital fluminense, chegou às 39 semanas de gestação com a carteira completa. Ela afirma que começou o pré-natal colocando as vacinas em dia e que quer proteger a filha, Noely.

Raissa Silva de Oliveira, que está com 34 semanas de gestação e espera Rafael, também diz ter seguido as orientações recebidas no pré-natal. Ela conta que a equipe de saúde chegou a confirmar por foto a aplicação da vacina contra o VSR.

Para Giuliane Lajos, as vacinas indicadas durante a gravidez devem fazer parte do acompanhamento básico, e não ser tratadas como um cuidado opcional. As especialistas ouvidas também afirmam que os imunizantes aplicados na gestação foram testados e não apresentam risco comprovado para a gestante ou o bebê.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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