A Unesco pode atuar como moderadora do debate global sobre inteligência artificial, afirmou o diretor-geral da organização, Khaled El-Enany. Para ele, a entidade reúne experiência e alianças com parceiros acadêmicos, a sociedade civil e o setor privado para ajudar a conduzir as discussões sobre a tecnologia.
A declaração ocorre antes da visita do papa Leão XIV à sede da Unesco, em Paris. O encontro será realizado na próxima sexta-feira e terá discursos e debates sobre inteligência artificial. Será a primeira visita de um papa à sede da organização desde João Paulo II, em 1980.
El-Enany convidou o pontífice em dezembro de 2025, poucas semanas depois de assumir o comando da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. O diretor-geral esteve no Vaticano em junho e classificou Leão XIV como um parceiro indispensável para tratar do tema.
“Existe o risco de que (a IA) saia do controle se não intervirmos”, disse El-Enany. Segundo ele, a tecnologia precisa ser governada de forma ética, inclusiva e equitativa.
Em 2021, a Unesco aprovou por unanimidade uma recomendação sobre a ética da inteligência artificial. O documento alerta para possíveis violações da privacidade, o aumento da brecha digital, a concentração do poder tecnológico em poucos Estados ou empresas e efeitos sobre a democracia, a informação e o meio ambiente.
O diretor-geral também afirmou que nem todos os países participam da transformação digital, embora todos demandem essa mudança. A organização trabalha com mais de 80 governos para prepará-los para o avanço da inteligência artificial e mantém contato direto com as maiores empresas do setor.
A visita do papa também será apresentada como uma defesa do multilateralismo. A Unesco se prepara para a saída dos Estados Unidos e da Nicarágua, marcada para 31 de dezembro.
Os Estados Unidos anunciaram em julho de 2025 que deixariam a organização, acusando-a de ter viés anti-israelense e de promover causas sociais e culturais divisivas. A Nicarágua comunicou sua saída em maio de 2025, em protesto contra a concessão de um prêmio de liberdade de imprensa a um jornal de oposição.
Com a saída americana, a China se torna a principal financiadora da Unesco. Em 2023, Washington havia justificado seu retorno à organização como uma forma de contrabalançar a influência de Pequim, especialmente no debate sobre inteligência artificial.








