São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

PF identifica viagens de Flávio Bolsonaro com advogado investigado no caso do INSS

Registros analisados pela Polícia Federal apontam viagens internacionais, uso de imóveis e voos compartilhados entre o senador e Willer Tomaz.

Flávio Bolsonaro embarcou em viagens com Willer Tomaz e Weverton Rocha, investigados no escândalo do INSS

Registros analisados pela Polícia Federal apontam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez ao menos cinco viagens internacionais no primeiro semestre de 2025 ao lado do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de participação em fraudes e desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A relação entre os dois também envolve imóveis, voos em jatinhos particulares e processos judiciais.

Os dados foram encontrados em celulares e e-mails de Tomaz apreendidos durante mandados de busca em seu escritório, em Brasília. Entre os materiais estão fotografias, bilhetes aéreos, reservas e contratos de aluguel de veículos.

Viagens e registros analisados

Em março de 2025, Flávio e Tomaz passaram uma semana na África do Sul. A viagem incluiu um safári e teve a participação do senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado no caso do INSS. Uma fotografia mostra os três com crianças na savana, usando camisetas com a inscrição “Big Five”.

No mês seguinte, Flávio e Tomaz viajaram juntos para Portugal e retornaram no mesmo voo. Em maio, foram novamente à Europa, acompanhados pelas famílias, em um roteiro por Portugal e pela França. E-mails analisados pela PF indicam tratativas para o aluguel de veículos em Lisboa e Nice.

Também houve deslocamentos para os Estados Unidos. Em janeiro de 2025, Flávio, a esposa e as duas filhas viajaram de Fort Lauderdale, na Flórida, para Brasília com Tomaz e familiares. O grupo usou um jatinho da empresa Prime You, que teve Daniel Vorcaro como sócio até setembro de 2025. No mesmo mês, Flávio e Tomaz passaram parte de um fim de semana no Hard Rock Hotel e Casino, na região de Miami.

Em maio, Flávio e a esposa, Fernanda Bolsonaro, voltaram à Flórida com Tomaz em uma aeronave emprestada por um empresário representado juridicamente pelo advogado.

Investigação sobre o INSS

Segundo relatório da Polícia Federal, Tomaz funcionava como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” para dar suporte a pessoas envolvidas no esquema investigado. A estrutura, conforme a representação policial, reunia empresas, imóveis, aeronaves, pilotos e operadores financeiros usados para lavar ou ocultar valores desviados de aposentadorias.

O documento também cita um repasse de R$ 11 milhões de empresas ligadas a Tomaz para a esposa de Weverton Rocha, apontado pela PF como liderança política do grupo.

A ligação entre Flávio e Tomaz inclui ainda o uso de um apartamento na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo. No mês passado, o advogado cedeu o imóvel para o senador durante compromissos políticos. Adversários questionaram a cessão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o argumento de que ela deveria ter sido informada como doação de campanha.

Antes de pertencer a Tomaz, o apartamento estava em nome de Fabiano Zettel, cunhado e apontado pela PF como principal operador financeiro de Vorcaro.

Flávio e Tomaz também atuam juntos em processos judiciais, incluindo uma disputa empresarial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que envolve a execução de R$ 159 milhões. O senador frequenta ainda propriedades do advogado em Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), e em Planaltina (DF).

Flávio afirmou manter uma “relação de amizade” “legítima” com Tomaz e disse que qualquer tentativa de associar a proximidade a irregularidades não tem fundamento nos fatos. Ele não respondeu se teve despesas pagas pelo advogado.

Tomaz declarou que as viagens foram “custeadas com recursos próprios” e tiveram caráter estritamente privado, por causa de uma amizade antiga. Também afirmou que “jamais manteve” relação pessoal, comercial ou societária com Zettel ou Vorcaro. Weverton disse que sua ligação com Tomaz é de compadrio e amizade antiga, sem uso de verbas públicas.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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