São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Paulo Guedes atuou para empresa de cripto alvo de ordem da CVM

OnilX é alvo de processos por falta de pagamentos, enquanto investidores tentam recuperar recursos aplicados com promessa de rendimento.

Paulo Guedes assessorou empresa de cripto alvo da CVM que agora dá calotes

A OnilX, empresa de criptomoedas que contou com a atuação pública de Paulo Guedes, passou a ser alvo de processos judiciais após investidores relatarem que não conseguem resgatar os valores aplicados. A companhia prometia rendimentos de até 2,8% ao mês e foi atingida por uma ordem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por oferta irregular de valores mobiliários.

Guedes, ex-ministro da Economia, dava palestras, prestava consultorias, recebia investidores e aparecia em materiais publicitários da empresa. Ele também participava de reuniões estratégicas com parceiros e de eventos ligados à OnilX. Apesar disso, seu nome não aparece no quadro societário do grupo.

Investidores tentam recuperar o dinheiro

A OnilX responde a mais de uma centena de processos nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Pará. Os investidores afirmam que foram prejudicados e alguns suspeitam de um esquema de pirâmide financeira. Eles dizem ter aplicado milhões de reais em criptoativos e stablecoins, atraídos também pela promessa de “alta liquidez”.

Um casal entrou na Justiça para cobrar R$ 876.513,00. Na ação, os investidores afirmam que fizeram novos aportes depois de participar de uma reunião com Guedes na sede da empresa, em abril deste ano. Cerca de quatro meses depois, em agosto, tentaram sacar o dinheiro, mas não conseguiram.

Outro processo cobra o resgate de R$ 632.183,33 aplicados por uma empresa. Em mensagens anexadas ao caso, uma assessora citou a presença de Guedes na companhia e ofereceu a possibilidade de reuniões com ele para investidores interessados em aplicar valores altos.

Em uma palestra para uma plateia de quase 500 pessoas, entre investidores e assessores, Guedes elogiou a posição da OnilX no mercado digital e afirmou: “O futuro é lindo”. A empresa também publicou uma imagem dele ao lado de Fábio Lino, dono da OnilX, e de executivos da Visa. Na publicação, Guedes foi descrito como alguém que oferecia “suporte e visão” ao grupo.

CVM manteve a ordem contra a empresa

Em 12 de janeiro de 2026, a Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários da CVM editou o Ato Declaratório nº 24.680 e determinou a suspensão imediata da oferta pública de serviços de intermediação de valores mobiliários pela OnilX, sob pena de multa diária.

A autarquia concluiu que a empresa não tinha autorização para intermediar valores mobiliários, atuar como assessora de investimentos ou captar recursos. A decisão considerou contratos com promessa de rentabilidade fixa diária ou mensal e operações de arbitragem em moedas estrangeiras no mercado de balcão. Para a CVM, essas estruturas se enquadram como Contratos de Investimento Coletivo sujeitos à regulação federal.

A advogada Anne Caroline Marciquevik passou a representar a OnilX em reuniões com a CVM. Ela havia sido assessora especial de Guedes no Ministério da Economia e atualmente atua na intermediação de contratos e palestras do ex-ministro.

Desde a ordem, Anne Caroline Marciquevik se reuniu seis vezes com autoridades da CVM. Em 1º de abril, o colegiado da autarquia analisou o recurso da empresa e, por maioria, rejeitou o pedido para derrubar a medida. Ao mesmo tempo, aceitou por unanimidade esclarecer que a proibição não alcança a intermediação simples de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, quando não há promessa de rendimento ou contrato de investimento.

Entre 12 de junho e 10 de setembro, foram identificadas 108 ações contra o grupo. Guedes e Fábio Lino não se manifestaram sobre a atuação do ex-ministro nem sobre as acusações feitas pelos investidores.

Em nota publicada em seu site, a OnilX afirma que é regular e confiável, tem CNPJ ativo, sede no Brasil e cerca de cinco anos de atuação no mercado de ativos virtuais. A empresa diz oferecer compra, venda, troca, intermediação e custódia de criptomoedas. Também sustenta que a decisão da CVM não impede todas as suas atividades e que não atua como gestora, não promete rentabilidade fixa nem oferece contratos de investimento coletivo.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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