Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, tornou-se alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, realizada pela Polícia Civil e pelo MP-SP. A investigação apura uma possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de ônibus e em estruturas do poder público.
De acordo com as apurações, 12 das 22 empresas de ônibus da cidade de São Paulo seriam operadas por laranjas ou interlocutores ligados ao crime organizado. A rede investigada teria usado a compra e a venda de frotas para lavar dinheiro do tráfico de drogas e financiar campanhas eleitorais de aliados.
Além de Leite, a operação busca prender Levi de Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Morgado (PL), candidato a deputado estadual. O Ministério Público, por meio do Gaeco, já havia apontado uma relação de Leite com a Transwolff, empresa acusada de lavar dinheiro para o PCC.
Trajetória política
Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e ocupou a presidência da Câmara Municipal de São Paulo em seis ocasiões. Durante a primeira gestão de Ricardo Nunes (MDB), participou de negociações da administração municipal e era considerado um dos políticos mais influentes da capital.
A influência fez com que seu nome fosse cogitado para a vaga de vice-prefeito na chapa de reeleição de Nunes em 2024. A possibilidade não avançou depois das suspeitas envolvendo a Transwolff.
A investigação também alcança a empresa A2. Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que Ricardo Nunes determinou a criação de um grupo com a Procuradoria-Geral do Município, a Controladoria-Geral do Município e órgãos ligados ao transporte. O grupo vai analisar a operação e avaliar uma intervenção na empresa.
A administração municipal afirmou que segue o mesmo procedimento adotado em 2024, quando houve intervenção na Transwolff e na UPBus. Segundo a prefeitura, o contrato foi encerrado e os órgãos municipais passaram a atuar com o Ministério Público e a Polícia Civil nas investigações. A gestão declarou ainda que não compactua com irregularidades e que continuará colaborando com as autoridades.
A Operação Vectura Corrupta ainda está em fase de investigação. Milton Leite não pode ser considerado culpado antes de uma decisão judicial definitiva, e sua defesa nega as acusações.







