A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, defendeu mudanças na estrutura da Organização das Nações Unidas (ONU) e alertou para os riscos dos programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte. As declarações foram feitas durante o discurso e a entrevista coletiva de Takaichi na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na terça-feira, 22.
Takaichi pediu a retirada das cláusulas sobre “Estados inimigos” da Carta da ONU e a ampliação do número de assentos permanentes e não permanentes no Conselho de Segurança. Para ela, a composição atual ainda reflete o equilíbrio de 1945.
A primeira-ministra também manifestou preocupação com o aumento da cooperação militar entre a Rússia e a Coreia do Norte. Ela afirmou que o desenvolvimento das capacidades nucleares e de mísseis norte-coreanas representa violação de resoluções do Conselho de Segurança e apontou atividades cibernéticas maliciosas, como furtos de criptomoedas, entre as formas de financiamento usadas pelo país.
Apoio ao tribunal internacional
No discurso, Takaichi afirmou que a ordem internacional livre enfrenta desafios em várias frentes e disse que a ONU tem papel central na promoção da paz e da estabilidade. Ela declarou que o Japão continuará assumindo responsabilidades na organização.
A premiê também reafirmou o apoio japonês ao Tribunal Penal Internacional (TPI), apesar das críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à permanência dos países na Corte. Segundo Takaichi, o Japão mantém “apoio consistente” ao tribunal, em linha com a prioridade dada pelo país à regra de direito desde o pós-guerra.
Ela relatou ainda uma troca franca com Trump durante conversas paralelas à Assembleia Geral. Os dois discutiram a economia e a segurança de cadeias como a de semicondutores.
Takaichi cobrou uma solução imediata para as abduções atribuídas à Coreia do Norte e afirmou estar disposta a dialogar e adotar medidas concretas. Sobre o Irã, defendeu a necessidade de preservar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.








