A Prefeitura de Ipojuca analisa imagens de uma aglomeração em torno de um peixe-boi na Praia do Cupe, ocorrida no último sábado (27). O objetivo é identificar as pessoas envolvidas, verificar como o episódio aconteceu e avaliar medidas administrativas.
A gestão municipal informou que recebeu denúncias e relatos sobre o caso. Vídeos mostram guias e banhistas próximos ao animal, tocando nele e dificultando sua movimentação. A prefeitura ainda não concluiu a identificação das pessoas que aparecem nas imagens.
Assim que foi avisada sobre a presença do peixe-boi, a administração mobilizou agentes ambientais e a equipe do Salva-mar. Os profissionais acompanharam a situação e levaram o animal para uma área considerada segura.
A Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano também apura as circunstâncias. "Após a apuração, adotará as medidas administrativas cabíveis e, se necessário, encaminhará o caso aos órgãos competentes", informou a prefeitura.
Orientação para observar o animal
O contato direto não é recomendado pelas orientações elaboradas pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A observação deve ocorrer a distância, sem tocar, alimentar, perseguir, cercar ou impedir o deslocamento do peixe-boi.
A prefeitura disse que faz o levantamento e o cadastramento dos prestadores de serviços turísticos por área de atuação. Sobre os guias vistos nas imagens, afirmou que ainda verifica quem são os envolvidos. Também declarou que o material recebido não confirma autorização ou credenciamento municipal específico para mergulho naquele ponto da Praia do Cupe.
O mergulho livre na região deve respeitar a fauna e os recifes, segundo a gestão. Os agentes ambientais atuam na fiscalização e no acompanhamento da área junto com o Salva-mar.
Riscos para o peixe-boi
O biólogo André Maia explicou que o peixe-boi é um mamífero e precisa sair da água para respirar. Por isso, impedir esse movimento pode levar o animal à asfixia. Nas imagens, pessoas aparecem apoiadas nele, como se fosse uma prancha, enquanto o animal permanece na água.
Maia também afirmou que o contato pode retirar a proteção natural da pele e deixá-la exposta a microrganismos, como bactérias, o que aumenta o risco de infecções. Segundo o biólogo, a ação humana sobre o meio ambiente contribuiu para a redução dos registros da espécie no litoral pernambucano.
"Animais silvestres são protegidos pela legislação ambiental. Então, você não pode ficar mexendo no animal", disse Maia.








