São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Instituto ligado à produtora de “Dark Horse” teve tesoureiro que nega atuação

Jacio de Medeiros Dantas aparece em atas do ICB entre 2014 e 2021, mas diz que apenas emprestou o nome ao cargo.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, manteve por seis anos um tesoureiro que afirma nunca ter atuado na organização. Jacio de Medeiros Dantas aparece em atas como tesoureiro-geral e secretário de assembleias, mas disse que apenas emprestou o nome para ajudar a empresária.

“Não, nunca [atuei como tesoureiro do ICB]. Até porque eu tenho outro trabalho”, afirmou Dantas. Eletricista autônomo, o homem disse que não participou de reuniões, assembleias ou outras atividades do instituto. Mesmo assim, seu nome aparece em listas de presença, e as assinaturas atribuídas a ele variam entre documentos.

O ICB é dirigido por Karina, dona da produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Em 2024, a organização assinou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Ricardo Nunes, do MDB, para instalar Wi-Fi público na capital. O acordo é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de irregularidades.

A Polícia Federal também investiga o possível desvio de recursos de emendas parlamentares destinados ao instituto. Entre os repasses está um total de R$ 2 milhões enviados pelo deputado federal Mario Frias, do PL, roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”.

Divergências em atas e documentos

As assinaturas atribuídas a integrantes da direção do ICB apresentam diferenças entre atas da própria entidade e registros públicos que não envolvem o instituto. No caso de Dantas, a rubrica registrada em documentos de 29 de setembro de 2014 e em uma reforma estatutária de 2015 se diferencia das assinaturas que aparecem em uma ata de 2 de outubro de 2017 e na carta de renúncia apresentada em janeiro de 2020.

Depois de receber imagens de duas dessas firmas, Dantas afirmou que nenhuma era sua. A comparação com documentos de um processo judicial do qual ele participa indicou semelhança entre sua assinatura oficial e as que aparecem nos registros de 2014 e 2015, mas diferença em relação aos documentos de 2017 e 2020.

A ata de outubro de 2017 também apresenta divergências nas assinaturas atribuídas a Rafael Tadeu da Silva Santanna e Karina Pereira Penha. Santanna teria ocupado a secretaria-geral entre 2014 e 2017. Penha teria assumido o cargo depois da renúncia dele, mas sua firma no documento não coincide com a de uma procuração assinada em janeiro de 2023.

Santanna disse que não se lembrava de ter assinado atas ou documentos e afirmou ter ficado surpreso com as divergências. Ele pediu acesso aos registros, mas não respondeu depois que os documentos foram enviados. Penha confirmou que trabalhou na organização, mas não respondeu sobre as assinaturas ou sobre o período em que ocupou o cargo.

Investigações e respostas

A situação do tesoureiro aparece no período em que uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que o ICB desviou recursos do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (CN-Sesi) em sete estados e no Distrito Federal. De R$ 11 milhões recebidos pelo instituto, ao menos R$ 2,4 milhões teriam sido superfaturados, segundo a CGU.

Desde 2014, 12 pessoas passaram por funções como conselheiros fiscais, secretários e tesoureiros. Entre elas estavam Regina Ferreira da Gama de Nazaré, mãe de Karina, que foi vice-presidente do ICB entre setembro de 2014 e setembro de 2017, além de profissionais de diferentes áreas e moradores de locais como o Distrito Federal, São Paulo e Uberlândia, em Minas Gerais.

O ICB e Karina Ferreira da Gama foram procurados, mas não responderam. A entidade e a empresária podem se manifestar posteriormente.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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