São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Flávio Bolsonaro teria negociado aporte de Vorcaro para filme sobre Jair

Mensagens e documentos indicam pagamentos de pelo menos 10,6 milhões de dólares para a produção de “Dark Horse”.

Mensagens e documentos indicam que Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro o repasse de 24 milhões de dólares, cerca de R$ 134 milhões na época, para financiar “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Os registros apontam que pelo menos 10,6 milhões de dólares, aproximadamente R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025.

Os documentos incluem um cronograma de desembolso, comprovante bancário e cobranças sobre parcelas da produção. Não há evidências, nas mensagens analisadas, de que os outros pagamentos previstos tenham sido realizados.

Vorcaro era dono do Banco Master. Em 17 de novembro de 2025, um dia depois de receber uma mensagem de Flávio, ele foi preso enquanto tentava deixar o país. Em 18 de novembro, o Banco Central liquidou a instituição. O esquema de fraude atribuído ao banqueiro teria provocado um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC.

Como o dinheiro seria enviado

Parte dos recursos teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado à produção do filme. Um comprovante registra uma operação de 2 milhões de dólares em 14 de fevereiro de 2025.

O fundo tem como agente legal o escritório do advogado Paulo Calixto, que também atua para Eduardo Bolsonaro. Os documentos societários citam ainda o corretor de imóveis Altieris Santana como integrante do quadro societário e Calixto como membro e administrador de uma empresa ligada ao fundo.

O Grupo Entre negou ter vínculo societário, de controle ou de governança com Vorcaro e afirmou estar à disposição das autoridades. Apesar das negativas, documentos e processos mencionados nas investigações indicam uma conexão operacional e financeira entre o grupo e o banqueiro.

As conversas também citam Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro, e Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias. Zettel teria acompanhado a parte jurídica e financeira dos repasses.

Cobranças e intermediação

A primeira aproximação registrada ocorreu em 8 de dezembro de 2024, quando Thiago Miranda organizou um encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro em Brasília. A reunião teria sido marcada para 11 de dezembro, às 17h30, na residência do banqueiro.

Pouco depois do horário previsto, Mario Frias enviou um áudio a Vorcaro agradecendo pelo apoio ao projeto. A defesa do deputado confirmou os contatos, mas afirmou que eles representavam uma relação legítima entre o idealizador do filme e um possível apoiador privado. Também negou que Frias tivesse atuado em articulação política ou financeira ou usado o mandato para lobby ou favorecimento empresarial.

No início de 2025, Flávio e Miranda pressionaram Vorcaro pela conclusão dos contratos e pelo início dos aportes. Em 21 de janeiro, Zettel informou que o filme teria dez parcelas de 2,5 milhões de dólares. Mais tarde, uma tabela indicou outro formato: 14 parcelas, sendo 12 de 1,666 milhão de dólares e duas de 2 milhões de dólares.

Em 12 de março, Vorcaro encaminhou um cronograma segundo o qual seis parcelas somariam 10,6 milhões de dólares entre janeiro e maio de 2025. Em agosto, outra tabela indicou que esse valor havia sido transferido de um total previsto de 23,9 milhões de dólares.

Flávio cobrou pagamentos

Em 8 de setembro, Flávio enviou um áudio a Vorcaro cobrando parcelas atrasadas e alertando para o risco de paralisação do filme. O senador mencionou a preocupação com os pagamentos a profissionais internacionais e disse que o projeto poderia perder contratos, elenco, direção e equipe.

Em 22 de outubro, Flávio informou que as filmagens estavam no terceiro dia e que a produção havia chegado ao limite. Ele afirmou que, se o apoio não continuasse, seria necessário buscar outra alternativa. No mesmo período, os dois trocaram mensagens e marcaram encontros em São Paulo.

Em 7 de novembro, Flávio agradeceu ao banqueiro pelo apoio ao projeto. Em 16 de novembro de 2025, escreveu a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Questionado sobre o financiamento, Flávio negou a informação e deixou o local onde concedia entrevista próximo ao Supremo Tribunal Federal, o STF. Ele também havia sido procurado por telefone, WhatsApp e e-mail, sem resposta até a publicação. A defesa de Vorcaro e Eduardo Bolsonaro igualmente não respondeu aos questionamentos.

A defesa de Mario Frias disse que o parlamentar participou do desenvolvimento criativo e institucional do projeto. Segundo o advogado, as conversas privadas e os encontros com empresários não configurariam irregularidade.

O filme “Dark Horse” teve a estreia anunciada para 11 de setembro de 2026, mas o site oficial não confirma uma data de lançamento no Brasil.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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