São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Fundo no Texas é investigado por possível repasse ligado a Flávio e Eduardo Bolsonaro

PF apura se recursos enviados por Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro chegaram a financiar despesas de Eduardo nos Estados Unidos.

Havengate: o fundo na mira da PF que conecta Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro

Um fundo registrado no Texas entrou no foco de uma investigação da Polícia Federal sobre transferências feitas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A apuração busca esclarecer se parte do dinheiro foi usada para custear o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Flávio afirma que os recursos foram destinados integralmente à produção de Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Em entrevista na quarta-feira (14/5), ele negou que o irmão tenha recebido valores. "Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme", disse o senador.

Na sexta-feira, Flávio voltou a negar o uso do dinheiro para despesas de Eduardo. Segundo ele, o ex-deputado se mantém com uma doação feita pelo pai e com reservas próprias.

Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Na última segunda-feira (11/5), a Procuradoria-Geral da República pediu a condenação dele por coação no curso de processo. A acusação é de que ele teria articulado, a partir do país, sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras para tentar influenciar o julgamento de Jair Bolsonaro por golpe de Estado.

Em 2025, Jair Bolsonaro enviou R$ 2 milhões ao filho nos Estados Unidos. Na ocasião, o Supremo Tribunal Federal considerou o envio um indício concreto de articulação entre os dois para interferir na atuação do Judiciário brasileiro.

Eduardo também nega ter recebido dinheiro de Vorcaro. Ele afirma que apenas cedeu seus direitos de imagem e que não ocupou cargo de gestão ou emprego no fundo.

Relação com a produção do filme

Documentos relacionados à produção de Dark Horse indicam que Eduardo assinou, em 30 de janeiro de 2024, um contrato datado de novembro de 2023. O acordo apresenta a GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora e coloca Eduardo e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) à frente da produção-executiva.

A defesa de Mario Frias afirma que Eduardo nunca foi produtor-executivo do filme e que não recebeu qualquer quantia do fundo. Eduardo, por sua vez, diz ter investido R$ 350 mil no início do projeto e que foi reembolsado depois da entrada de investidores. Ele também declarou que atuou inicialmente como diretor executivo, mas deixou essa função quando o projeto passou a adotar a estrutura de fundo de investimento.

O fundo investigado é o Havengate Development Fund LP. Documentos financeiros indicam o envio de US$ 2 milhões e apontam que parte dos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) pagos por Vorcaro a Flávio entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações para o Havengate.

A Entre é liderada por Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, alvo da segunda fase da operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e Vorcaro. A empresa nega vínculo societário, de controle ou de governança com o ex-banqueiro.

Registro do fundo nos Estados Unidos

O registro público do Texas aponta que o agente legal do Havengate é o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, de Paulo Calixto, advogado de Eduardo nos Estados Unidos. O fundo aparece como propriedade da Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial do escritório, em Dallas.

A empresa tem Paulo Calixto e o corretor de imóveis Altieris Santana entre seus membros. Santana também aparece como sócio-administrador da Calixsan Capital Management e agente imobiliário da Sanmo Realty. Calixto é advogado especializado em imigração e atua principalmente com o visto EB-5.

Flávio disse considerar natural que o advogado responsável pelo processo migratório de Eduardo participasse da administração do fundo. Eduardo afirmou que Calixto tem experiência em gestão patrimonial e fundos de investimento.

Por que a estrutura dificulta o rastreamento

Fundos offshore são veículos de investimento registrados fora do país de residência do investidor. Em algumas jurisdições, eles podem dificultar a identificação dos beneficiários finais, especialmente quando há empresas ou fundos controlando outras estruturas.

O auditor fiscal Roberto Alvarez, diretor financeiro do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, comparou esse tipo de estrutura a um “CNPJ de papel”. Segundo ele, a operação entre Vorcaro e Flávio chama atenção pelo volume movimentado e ainda precisa ter a origem dos recursos esclarecida.

A fiscalização internacional também é um obstáculo. Os Estados Unidos não aderiram ao Common Reporting Standard, padrão criado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico para a troca automática de informações tributárias e financeiras. Por isso, para investigar fundos desse tipo nos Estados Unidos, a PF depende de cooperação específica com o FBI ou com instituições americanas.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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