BRASÍLIA — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou que se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro depois da primeira prisão dele, em novembro de 2025. O encontro ocorreu quando Vorcaro estava sob monitoramento eletrônico e não podia sair de São Paulo, segundo o senador.
Flávio afirmou que procurou o banqueiro para encerrar as tratativas sobre o financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. “Fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história”, disse a jornalistas após uma reunião com parlamentares do PL.
A primeira prisão de Vorcaro ocorreu em 18 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero. Ele é investigado por crimes contra o sistema financeiro nacional. Em 28 de novembro, foi libertado por uma decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março, em outra etapa da operação. Desde então, passou por diferentes presídios e foi transferido para a carceragem da Polícia Federal, em Brasília. Ele negocia um possível acordo de colaboração premiada.
Financiamento do filme
A relação entre Flávio e Vorcaro veio a público em 13 de maio, após a divulgação de um áudio no qual o senador pede informações sobre repasses supostamente combinados para financiar o filme. O valor total previsto seria de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época. Desse montante, R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025.
Em declarações posteriores, Flávio disse que buscava patrocínio privado para a produção e negou ter oferecido vantagens em troca do financiamento. Também afirmou que não recebeu dinheiro ou benefício e defendeu a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o caso do Banco Master.
Antes de admitir a negociação, o senador negou a existência do contato quando foi questionado sobre o pedido de financiamento. Depois da divulgação do áudio, reconheceu a relação com Vorcaro e afirmou que o objetivo era obter recursos para concluir o filme.
O senador também vinha associando as suspeitas envolvendo o Banco Master ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao PT. Em publicações de 23 de março, 25 de março e 10 de maio, classificou as acusações contra adversários políticos como parte de uma narrativa relacionada à esquerda.
Mudanças nas declarações sobre o projeto
Eduardo Bolsonaro também alterou sua versão sobre a participação no filme. Em 14 de maio, negou envolvimento na gestão financeira do projeto. No dia seguinte, após a divulgação de documentos, afirmou que havia assinado um contrato com a produtora para garantir a participação de um diretor de Hollywood.
Eduardo disse que usou recursos próprios e declarou ter enviado R$ 350 mil, convertidos em cerca de US$ 50 mil, aos Estados Unidos para assegurar o contrato do diretor.
Na terça-feira (19/5), uma pesquisa do instituto Atlas Intel apontou queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, ele passou de 39,7% para 34,3%. Na simulação de segundo turno, caiu de 47,8% para 41,8%, enquanto Lula apareceu com 48,9%.








