O Ministério da Saúde prevê aumento da circulação de dengue e outras arboviroses no Brasil no fim de 2026, com a intensificação do El Niño. O alerta vem após uma queda de 75% na incidência de dengue no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado.
A pasta considera outubro o início de uma janela crítica, com possíveis impactos até março de 2027. Para responder a uma eventual alta de casos, o governo prepara um plano de contingência em conjunto com estados e municípios.
Em julho, o ministério já havia informado que o período de influência do fenômeno climático poderia elevar a transmissão dessas doenças. Projeções do InfoDengue/Fiocruz indicaram a possibilidade de o Brasil chegar a cerca de 1,7 milhão de casos de dengue no próximo ano.
Como será a preparação
As ações serão organizadas nos níveis nacional e regional. O Ministério da Saúde informou que contará com os Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) e com as bases descentralizadas da Força Nacional do SUS (FN-SUS) para apoiar o monitoramento e a resposta.
“É urgente avançar na adaptação climática porque essas mudanças estão afetando a saúde e levando pessoas à morte”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Ele disse que a preparação considera evidências científicas e os princípios do SUS.
As mudanças nas temperaturas e nas chuvas podem alterar o comportamento das doenças. Em locais com mais precipitação, pode haver aumento de criadouros do Aedes aegypti. Já em áreas de estiagem, o armazenamento de água pode favorecer a reprodução do mosquito quando os recipientes ficam sem proteção adequada.
No Nordeste, o Ministério da Saúde projeta piora do cenário por causa de períodos mais longos de seca. Nilton Pereira, diretor de Programa da Secretaria Executiva da pasta, citou riscos relacionados à insegurança hídrica, ao calor extremo e ao agravamento de doenças crônicas, principalmente cardiovasculares.
As bases da Força Nacional em Fortaleza, Recife e Salvador também serão usadas para atendimento em situações de desastre ou emergências climáticas de saúde pública. A meta anunciada pelo ministério é realizar o atendimento imediato em até 12 horas.
A pasta também informou que trabalha com a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) em medidas para uma possível crise hídrica. Entre as ações está a implementação de mais de 18 mil cisternas no semiárido, com o objetivo de ampliar o acesso à água e a segurança hídrica da população.








