São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Douglas Ruas é alvo de questionamentos sobre negócios, família e gestão pública

Candidato do PL aparece ligado a investigações, contratos e operações empresariais que envolvem São Gonçalo e o governo do Rio.

Rio de Janeiro - Acusações de ligação com milícia e política como negócio de família: conheça as suspeitas que cercam Douglas Ruas

Douglas Ruas, candidato do PL, passou a ser questionado por causa de relações familiares na política, contratos públicos, negócios privados e investigações ainda em andamento. Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, ele também é irmão do vereador Nelson Ruas Filho e já ocupou cargos na administração do pai e no governo estadual.

As suspeitas não comprovam que Douglas tenha participado de milícia ou cometido crime. No caso de Capitão Nelson, um procedimento relacionado à CPI das Milícias de 2008 foi arquivado, sem condenação ou processo em andamento por aquele episódio.

Família e recursos públicos

Capitão Nelson construiu sua carreira na Polícia Militar e recebeu mais de uma vez a chamada “gratificação faroeste”, criada em 1995. Ele também integrou uma patrulha conhecida como “carruagem do além”. Anos depois, informações do Disque-Denúncia citadas na CPI das Milícias o relacionaram a um grupo paramilitar. Em 2024, o prefeito apresentou à Justiça Eleitoral uma certidão informando que não respondia a processo ligado ao caso.

Em São Gonçalo, a família ocupa diferentes espaços de poder. Douglas comandou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais, responsável por formular convênios para a cidade receber recursos estaduais e federais. Desde 2020, o município recebeu R$ 250,5 milhões do chamado orçamento secreto. Desse total, R$ 17,2 milhões foram destinados à pavimentação por indicação do deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL e ex-assessor de Douglas.

Doação e contrato com a prefeitura

Na campanha de Douglas para a Assembleia Legislativa do Rio em 2022, o empresário Carlos Freitas Neves doou R$ 160 mil, segundo maior valor individual recebido pelo candidato. Três anos depois, uma empresa controlada por Neves assinou contrato de R$ 732 mil com a Prefeitura de São Gonçalo, administrada por Capitão Nelson.

O acordo previa pagamentos mensais de R$ 61 mil pela locação de um imóvel para a Fundação Municipal de Saúde. A contratação ocorreu por dispensa de licitação, e a empresa havia sido criada dois meses antes da assinatura. Mariana Barbosa de Souza, mulher de Douglas, foi sócia de Neves em duas empresas. Ele deixou essas sociedades em agosto de 2025.

Douglas disse que não sabia da contratação e afirmou que não ocupava cargo na prefeitura naquele momento. A administração municipal declarou que a locação seguiu os procedimentos legais e que o imóvel atendia às necessidades da Fundação de Saúde.

Investigações e patrimônio

Em junho de 2026, o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu uma apuração preliminar sobre a Saur Construção, Terraplanagem e Locação, empresa da qual Douglas e o irmão são sócios, e a DM Invest, que reúne Douglas e a empresária Letícia Felício. O órgão pediu informações à Procuradoria-Geral do Estado sobre pagamentos às duas companhias. A PGE informou que não encontrou pagamentos, e a defesa declarou que as empresas não mantêm contratos com órgãos públicos.

Também existe, desde maio de 2023, um inquérito civil sobre possíveis atos de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito envolvendo Douglas e Thiago Saraiva, ex-secretário de Fazenda de São Gonçalo. Até agosto deste ano, o procedimento não havia sido concluído.

Entre 2023 e 2025, empresas relacionadas a Douglas e à mulher dele compraram imóveis e precatórios avaliados em mais de R$ 15 milhões nas escrituras. A Saur, da qual Douglas detém 90%, fez parte dessas aquisições. Em documento registrado na Junta Comercial, a empresa declarou R$ 19,6 milhões em lucros acumulados e previu distribuir os valores aos sócios até 2028. A participação atribuída a Douglas seria de aproximadamente R$ 15,9 milhões.

O candidato afirmou que a Saur atua de forma consolidada no setor de logística e passou a investir em imóveis e ativos financeiros a partir de 2023.

Contratos da Secretaria de Cidades

Contratos da Secretaria estadual de Cidades, comandada por Douglas entre 2023 e março de 2026, foram examinados em uma auditoria que identificou possíveis irregularidades e encaminhou o material às autoridades responsáveis pela apuração. Um dos pontos foi um aditivo de aproximadamente 45% em um contrato de recapeamento. O valor teria subido de R$$ 99,7 milhões para $$ 144,9 milhões.

O relatório ainda registrou relações empresariais envolvendo pessoas próximas de Altineu Côrtes. Como o deputado tem foro, o caso foi enviado à Procuradoria-Geral da República, que avaliaria a abertura de investigação. Douglas e os demais citados negaram irregularidades.

Os episódios têm situações diferentes: há procedimentos em andamento, não foram encontrados pagamentos públicos às duas empresas investigadas e o caso relacionado ao pai de Douglas foi arquivado. O conjunto, porém, colocou sob análise a concentração de influência política em São Gonçalo, as relações empresariais e o uso de recursos públicos na trajetória do candidato ao governo do Rio de Janeiro.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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