Ronaldo Caiado continua como figura central na disputa pelo governo de Goiás, mesmo após deixar o cargo para concorrer à Presidência. O ex-governador participa da campanha de Daniel Vilela, seu ex-vice e atual governador, que tenta manter o grupo político no comando do Estado.
Caiado esteve em Aparecida de Goiânia nesta terça-feira, em um ato de apoio a Vilela, depois de se recuperar de uma pneumonia. Na semana anterior, participou do desfile cívico de 7 de Setembro, em Goiânia. A presença dele também se relaciona à candidatura de sua mulher, Gracinha Caiado, ao Senado pelo grupo de Vilela.
Na pesquisa AtlasIntel divulgada no dia 3, Vilela aparece com 43,5% das intenções de voto. Wilder Morais, do PL, tem 20,1%, enquanto Marconi Perillo, do PSDB, soma 16,1%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Aposta na continuidade
A campanha de Vilela associou diretamente sua imagem à de Caiado desde os primeiros programas eleitorais. O ex-governador aparece apresentando o sucessor como parceiro dos anos de governo e como o nome preparado para preservar as conquistas da gestão anterior. O slogan adotado é: “É Daniel, é Caiado. Tudo junto e misturado.”
Para Guilherme Carvalho, doutorando em Ciência Política pela Universidade de Brasília e diretor-executivo da Métrica Viabilidade, a estratégia envolve mais do que transferir a aprovação de Caiado. O objetivo também é preservar a coalizão política formada durante o governo anterior.
Carvalho avalia que Vilela conseguiu manter relativamente estável a estrutura de apoio, embora sucessões costumem dividir alianças na disputa pelo poder. A aprovação do governo de Caiado chegou a 84% dos eleitores goianos, segundo pesquisa Quaest divulgada em 30 de julho de 2026.
A associação entre os dois políticos também foi questionada na Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás suspendeu, no final do mês passado, duas peças de televisão da campanha de Vilela com participação de Caiado. O tribunal considerou que o material ultrapassava o resgate histórico e configurava promoção eleitoral. As decisões foram derrubadas depois.
O pedido havia sido apresentado pelo PL, que afirmou que sua candidatura “não precisa tomar emprestada a imagem de ninguém”.
Disputa pelo eleitorado de direita
Wilder Morais tenta se apresentar como alternativa ao grupo que governa Goiás e aproxima sua campanha do bolsonarismo. A propaganda usa referências a fé, família, trabalho, campo e desenvolvimento do Estado, além de imagens ao lado de Jair e Flávio Bolsonaro.
A estratégia mira parte do mesmo eleitorado de direita associado ao grupo de Caiado. Para Carvalho, a disputa entre Vilela e Wilder não é apenas ideológica. Os dois projetos competem pela liderança de uma base semelhante, apesar de partirem de referências diferentes.
Nesse cenário, a presença de Caiado na campanha de Vilela reforça a ideia de continuidade. Wilder tenta abrir espaço com uma identificação mais direta com o bolsonarismo. Para o cientista político, “é um embate por poder”.
Marconi aposta na própria trajetória
Marconi Perillo escolheu destacar os quatro mandatos que exerceu como governador. Com cerca de 30 segundos em cada horário eleitoral, sua campanha relembra realizações como o HUGOL, a Universidade Estadual de Goiás, a Bolsa Universitária, os colégios militares e as Patrulhas Maria da Penha.
Em outro programa, exibido na segunda-feira, 31, Marconi adotou um tom mais crítico contra Vilela e o grupo que está no poder. A campanha afirmou que pretende combater desperdício de dinheiro, propaganda e problemas da administração atual.
A avaliação de Guilherme Carvalho é que Marconi mantém trajetória e eleitorado conhecidos, mas tem dificuldade para transformar as críticas em uma proposta de futuro.
Obstáculo na corrida presidencial
Embora preserve influência em Goiás, Caiado enfrenta dificuldades para levar esse capital político à disputa pela Presidência. Segundo Carvalho, o ex-governador ainda não conseguiu se diferenciar com clareza dos principais nomes da direita nem romper a polarização nacional.
Na pesquisa Atlas, Caiado aparece com 19,2% em Goiás. Para o cientista político, sua trajetória é mais conhecida entre setores da elite política e do agronegócio do que entre o eleitorado nacional. A proximidade de sua plataforma com a de Jair Bolsonaro também dificulta a disputa por eleitores que priorizam o candidato considerado mais competitivo contra o PT.







