NOVA YORK — A aliança Escudo das Américas propôs sanções coletivas contra 24 grupos do crime organizado que atuam na região. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão entre as organizações incluídas na iniciativa, liderada pelos Estados Unidos.
A proposta prevê congelamento de ativos, restrições migratórias e de visto para membros, associados e apoiadores dos grupos. O comunicado também afirma que pessoas que oferecerem apoio material deliberado, inclusive logístico, poderão responder criminalmente.
A medida foi anunciada na terça-feira (22), após uma reunião de líderes da coalizão na sede da ONU, em Nova York. O documento descreve os grupos como uma ameaça imediata e compartilhada e apresenta a ação como a primeira iniciativa conjunta contra o narcoterrorismo.
Como funcionaria a proposta
O Escudo das Américas foi fundado em março por iniciativa do presidente Donald Trump e reúne aliados conservadores dos Estados Unidos. Peru, Chile e Colômbia são os novos membros. Os 24 grupos citados já foram sancionados por Washington, incluindo a Mara Salvatrucha, de El Salvador, o Tren de Aragua, da Venezuela, cartéis mexicanos e grupos armados do Brasil, da Colômbia e do Peru.
Os países signatários também declararam que pretendem solicitar ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) a ativação do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), de 1947. O instrumento permite criar um órgão consultivo para coordenar respostas de segurança regional.
Cada país deverá aplicar as sanções e outras medidas de acordo com a própria legislação. O comunicado informa que a iniciativa busca ampliar aos 15 países signatários um sistema de punições econômicas e jurídicas usado pelos Estados Unidos contra grupos armados, empresários e figuras políticas.
Trump afirmou na Assembleia Geral da ONU que os Estados Unidos não permitirão que ameaças contra a América avancem no hemisfério ocidental e disse que o país poderá usar seu poderio militar caso necessário. O Pentágono realiza há um ano operações com drones e ataques aéreos contra supostas lanchas ligadas ao narcotráfico no Caribe e no Pacífico. A campanha já deixou mais de 200 mortos.
O comunicado também aponta como obstáculo o fato de Brasil e México costumarem se opor a iniciativas de Washington no âmbito da OEA.








