Um em cada cinco estudantes brasileiros que entrou no ensino médio não concluiu a etapa e já não estava matriculado até dois anos depois do prazo previsto para terminar os estudos. O dado aparece em um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne informações de países membros, nações em processo de adesão e integrantes do G20.
No mesmo momento da trajetória escolar, 79% dos alunos haviam concluído o ensino médio e 1% ainda frequentava a etapa sem terminar. A taxa brasileira de conclusão ficou abaixo da média de 85% registrada no conjunto analisado pela organização. Na comparação internacional, 15% deixaram o ensino médio sem diploma e sem continuar vinculados à educação.
Diferença entre países e gêneros
Os índices variam entre os sistemas educacionais. A conclusão chega a 93% na Irlanda, 91% na Colômbia e 90% no Canadá e na Eslovênia. Na Dinamarca, o percentual é de 74%.
A distância também aparece entre homens e mulheres. Considerando os países analisados, 14% dos homens abandonam o ensino médio sem qualificação até dois anos depois do prazo previsto, contra 10% das mulheres. No Brasil, 23% dos homens não concluem a etapa e deixam de estudar. Conforme a OCDE, essa é a maior taxa entre os países avaliados nesse recorte.
No país, as mulheres têm sete pontos percentuais a mais de probabilidade de concluir o ensino médio do que os homens. Na educação geral, Brasil e Israel registram uma diferença de oito pontos percentuais entre os gêneros nas taxas de abandono. Na média dos países, 9% dos homens deixam essa modalidade sem concluir, diante de 7% das mulheres.
Na formação profissional, o abandono é maior para os dois grupos: 22% entre os homens e 18% entre as mulheres na média da OCDE. Essa modalidade costuma concentrar estudantes com histórico de baixo desempenho, repetência, condições socioeconômicas desfavoráveis ou menor vínculo com a escola, embora o padrão varie entre os países.
Abandono é visto como um processo
A OCDE afirma que a saída da escola geralmente não resulta de um único acontecimento. O afastamento pode se acumular ao longo do tempo e envolver fatores relacionados ao estudante, à escola e ao sistema educacional.
Baixo desempenho, faltas frequentes, perda de motivação, experiências escolares anteriores, ambiente da escola e nível de apoio oferecido aos alunos estão entre os fatores associados ao risco de abandono. A organização também cita políticas como repetência e oferta limitada de alternativas profissionais.
Para reduzir o abandono, a prevenção precisa considerar os sinais e as condições que aumentam o risco ao longo da trajetória escolar, e não apenas o momento em que o estudante deixa a escola.








