As tarifas e o comércio estarão no centro do encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, marcado para 24 de setembro na Casa Branca. Os dois países reduziram as taxas desde o pico registrado em abril de 2025, mas ainda não chegaram a um acordo permanente.
A tarifa-base dos Estados Unidos sobre produtos chineses chegou a 145% em abril de 2025. A China respondeu com uma cobrança de 125%. Hoje, os dois governos aplicam um conjunto de tarifas diferentes conforme o setor.
Em julho, a tarifa efetiva sobre produtos importados da China era de 22,8%, a maior entre os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, conforme o Penn Wharton Budget Model. Para aço e alumínio, a taxa chegava a 40,5%. A China mantém uma tarifa de 10% sobre todos os produtos americanos e uma cobrança adicional de 15% sobre o gás natural liquefeito.
Comércio e negociações
Mesmo com a disputa, o comércio entre os dois países continuou. As importações e exportações somaram 400,8 bilhões de dólares (2,1 trilhões de reais) entre janeiro e agosto deste ano, alta de 5,4% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados da alfândega chinesa.
As exportações chinesas responderam por 75% desse total, o que gerou um superávit que desagrada ao governo americano. As negociações atuais incluem um mecanismo para reduzir tarifas sobre produtos avaliados em 30 bilhões de dólares (154 bilhões de reais) de cada lado, informou o Ministério do Comércio da China.
Trump disse que pretende discutir quase tudo com Xi, mas as tarifas são apontadas como o principal assunto da reunião. Para Dan Wang, diretora da equipe para a China do Eurasia Group, “Xi não iria se não houvesse resultados concretos sobre as tarifas ou uma trégua comercial”.
Interesses dos dois governos
A China chega às conversas com vantagem, segundo Wang. O país impôs controles rígidos à exportação de terras raras, usadas em produtos de alta tecnologia e cujo processamento é dominado pelos chineses. As cadeias de abastecimento chinesas são descritas como flexíveis, e o crescimento das exportações não teria sido afetado de forma significativa pelas tarifas até agora.
Trump busca garantias de que a China comprará produtos agrícolas americanos, especialmente soja. A economia também está entre suas preocupações, em um cenário de alta dos preços mundiais do petróleo após a retomada da guerra dos Estados Unidos contra o Irã e antes das eleições de meio de mandato de novembro.
Outros pontos de atrito incluem o apoio econômico e diplomático de Pequim ao Irã e a competição tecnológica, principalmente em inteligência artificial. Na semana passada, o governo americano acusou laboratórios chineses de inteligência artificial de roubar capacidades de empresas dos Estados Unidos em escala industrial.








