FORTALEZA — João Munhoz Neto, de 33 anos, namorado da estudante de Direito Isabelle Caracristi, foi preso nesta terça-feira (22), em um edifício no bairro Aldeota, em Fortaleza. A jovem, de 22 anos, foi encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com o namorado e familiares dele.
O pedido de prisão preventiva cita os artigos 122 e 147 do Código Penal, relacionados à indução de alguém a tirar a própria vida ou a praticar automutilação e à ameaça. O Tribunal de Justiça do Ceará informou que os procedimentos do Judiciário ligados à investigação tramitam em segredo de Justiça.
Uma hora antes da morte, Isabelle teria enviado áudios a um parente dizendo que, se algo acontecesse com ela, a responsabilidade seria do namorado. A investigação também aponta que Neto pediu ao administrador do condomínio que impedisse a entrada da família da estudante no prédio caso algum parente tentasse acessar o local.
Depois da morte, ao voltar ao condomínio, o homem pediu ajuda ao zelador para encontrar o celular de Isabelle. Na ocasião, lixeiras das áreas comuns foram reviradas. A defesa de Neto afirmou que ele prestou depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na noite da segunda-feira (21) e entregou o celular aos investigadores.
O que as câmeras registraram
O corpo de Isabelle foi encontrado no último dia 13 de setembro. Imagens de monitoramento mostram que ela chegou ao prédio às 17h58, com uma mala, e foi recebida por Neto. Os dois subiram de elevador até o apartamento, no 15º andar.
Às 18h31, usando outra camiseta, Neto deixou o apartamento, desceu até a portaria, conversou rapidamente com um funcionário e saiu do prédio. Às 19h12, Isabelle entrou sozinha no elevador, com o celular na mão, e seguiu para a cobertura, no 23º andar.
A perícia estimou que a morte ocorreu cerca de 1h30 depois, por volta das 20h40. Neto retornou ao condomínio de carro às 22h48, quando um veículo da Perícia Forense já estava no local.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou que foram observadas lesões compatíveis com impacto contra o solo. Os exames laboratoriais deram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico. A Polícia Civil do Ceará afirmou que realiza uma série de diligências. Quatro pessoas foram ouvidas e outras quatro devem prestar depoimento.
O celular de Isabelle será periciado, assim como o aparelho e um tablet da sogra de Neto, identificada como Sara Regina Alexandre Munhoz. Até agora, não foi divulgada uma linha de investigação.
Relatos da família
A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, disse que a filha conheceu Neto na primeira semana de estágio no escritório de advocacia onde ele trabalhava. Segundo Isorlanda, dez dias depois do início do estágio, a jovem contou que os dois estavam namorando. A mãe classificou a relação como “obsessiva” e relatou que Neto teria tentado acompanhá-la durante um exame ginecológico.
Isorlanda afirmou que Isabelle passou o fim de semana com ela e recebeu várias mensagens do namorado no dia da morte. A estudante se queixava de dores no pescoço e havia tomado um relaxante muscular. No fim da tarde, disse que iria à missa com Neto e a família dele. Por volta das 19h, teve o último contato com a mãe e, pouco depois, enviou uma mensagem dizendo: “Mãe, eu te amo”.
A mãe só soube da morte no dia seguinte, depois de não conseguir falar com Isabelle nem com Neto e ir ao condomínio. Segundo ela, a síndica informou o que havia acontecido. Isorlanda também afirmou que foi bloqueada pelo namorado da filha e que nem ele nem os familiares dele compareceram ao velório ou ao enterro.
O irmão de Isabelle, Rafael Magalhães, afirmou que a família recebeu no domingo (20) a confirmação de que ela estava grávida. A informação teria sido obtida a partir de dados do celular da estudante, que passa por perícia. Ele não soube informar de quantas semanas seria a gestação, e os exames capazes de confirmar a gravidez ainda não foram divulgados.
A causa oficial da morte não foi divulgada. A Polícia Civil informou que as diligências continuam.








