São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Empresa ligada a sócias de fornecedora de Flávio tem fundo nas Bahamas

Hanbellseg foi contratada por R$ 1,5 milhão; registros ligam suas proprietárias à Golden, controlada em 62,65% por fundo estrangeiro.

Flávio Bolsonaro: sócias de empresa contratada por R$ 1,5 mi têm elo com fundo em paraíso fiscal
Foto: Foto Marina Uezima/AFP

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um contrato de R$ 1,5 milhão com a Hanbellseg Serviços e Locações Ltda., empresa de Sorocaba. Até agora, R$ 500 mil foram pagos com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conforme a prestação parcial de contas da candidatura.

As proprietárias da Hanbellseg, Carolina Carmezin Beldi e Beatriz Carmezim Beldi, também fazem parte da Golden Atividades Imobiliárias Ltda. A empresa tem capital social de R$ 14,9 milhões e sua maior participação está em nome da Feyther Investment Fund Ltd., fundo constituído nas Bahamas.

Os registros societários não apontam repasse de dinheiro da campanha para a Golden ou para a Feyther. Eles mostram a ligação empresarial entre as donas da fornecedora contratada com recursos eleitorais e uma companhia que tem participação majoritária de um fundo estrangeiro.

Alteração societária reuniu empresas no mesmo endereço

Em novembro de 2025, a Golden aumentou o capital de R$ 11.556.301 para R$ 14.974.159. A diferença de R$ 3.417.858 foi convertida em novas quotas, todas subscritas pela Feyther Investment Fund Ltd., segundo contrato arquivado na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP).

Depois da operação, o fundo passou a ter 9.388.000 das 14.974.159 quotas da Golden, participação equivalente a 62,65%. Antonio Fabio Beldi ficou com 5.586.156 quotas. Carolina, Beatriz e Mariana Carmezin Beldi ficaram com uma quota cada.

A mesma alteração contratual incluiu Beatriz e Mariana como sócias. Antonio Fabio transferiu uma quota para cada uma. Beatriz já era sócia de Carolina na Hanbellseg, enquanto Mariana é a única proprietária da HB3 Serviços de Terceirização Ltda., aberta em setembro daquele ano.

Na ocasião, a Golden também mudou sua sede para a Rua Vicente Lamarca, 326, barracão parte A. A Hanbellseg está registrada na parte B, e a HB3, na parte C.

Carolina e Nelson Diniz da Costa administram a Golden. Nelson também aparece como procurador da Feyther no ato societário registrado no Brasil.

Registros da Feyther no exterior

A Feyther tem CNPJ próprio no Brasil: 19.311.044/0001-60. Documento emitido pela Receita Federal em 23 de setembro de 2026 identifica o fundo como empresa domiciliada no exterior e informa que o cadastro está suspenso desde 9 de outubro de 2021, por inconsistência cadastral.

O documento não detalha qual foi o problema que levou à suspensão. Em novembro de 2025, quatro anos depois, a Feyther aparece subscrevendo R$ 3.417.858 em quotas da Golden.

O contrato brasileiro descreve a Feyther como um fundo criado pelas leis das Bahamas e indica o endereço Winterbotham Place, Marlborough and Queen Streets, em Nassau. Em uma lista da Securities Commission of The Bahamas de 30 de setembro de 2020, o fundo aparece sob a classificação SFM 004, administrado pela The Winterbotham Trust Company Limited.

Na relação de 31 de maio de 2026, a Feyther não aparece mais. O documento não esclarece quando nem por que o fundo deixou de constar da lista.

A Feyther também figura como manager da Golden Florida Real Estate LLC, aberta na Flórida em 21 de maio de 2015 sob o número L15000090133. O registro atual associa ao fundo o endereço Tortola Pier Park, Building 1, 2nd Floor, Wickhams Cay I, em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas.

Esse endereço, por si só, não comprova uma mudança de jurisdição das Bahamas para as Ilhas Virgens Britânicas. A Golden Florida passou a informar Curitiba, no Paraná, como endereço principal após alteração registrada em 23 de abril de 2026.

Os registros consultados não identificam o beneficiário final da Feyther. Carolina, Beatriz, Mariana e Antonio Fabio Beldi não aparecem como beneficiários finais nos documentos analisados. Nelson Diniz da Costa consta como procurador do fundo no Brasil e administrador da Golden.

Também não há indicação de que os R$ 500 mil pagos à Hanbellseg, ou qualquer outro recurso eleitoral, tenham sido destinados à Golden, à Feyther, à Golden Florida, às Bahamas ou às Ilhas Virgens Britânicas. Questionamentos foram enviados à contabilidade ligada às empresas, mas não houve resposta até o fechamento.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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