São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Guilherme Derrite chega à disputa pelo Senado sob críticas na segurança

Ex-secretário de Segurança de São Paulo, o deputado federal é alvo de questionamentos sobre letalidade policial, caso Gritzbach e Lei Antifacção.

Quem é Guilherme Derrite? Entenda as polêmicas do candidato ao Senado em São Paulo
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/editada com IA

Guilherme Derrite disputa uma vaga no Senado por São Paulo em 2026 pelo Progressistas (PP), depois de construir sua trajetória política com um discurso de endurecimento da segurança pública. Ex-secretário estadual da área, policial militar da reserva e deputado federal, ele também é associado ao bolsonarismo e ao campo conservador.

A carreira de Derrite foi marcada por controvérsias sobre mortes em ações policiais, pelas operações na Baixada Santista, pelo assassinato do empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach e pela atuação como relator da Lei Antifacção.

Da Polícia Militar à política

Nascido em Sorocaba, em 10 de outubro de 1984, Derrite entrou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 2003. Estudou Ciências Sociais e Segurança Pública na instituição, formou-se em Direito e concluiu pós-graduação em Ciências Jurídicas pela Universidade Cruzeiro do Sul.

Na Polícia Militar, passou pelo 14º Batalhão e pela Rota. Chegou à patente de capitão e foi para a reserva em 2018, quando iniciou a carreira política.

Durante sua passagem pela Rota, seis inquéritos trataram de dez mortes decorrentes de intervenções policiais em operações realizadas ao longo de três anos e nove meses. Um sétimo inquérito mencionou uma ação que terminou com seis mortos e envolveu policiais presos por tortura e assassinato. Derrite não foi denunciado criminalmente nesses casos.

Em entrevista, afirmou que deixou a Rota porque havia “matado muito ladrão”. Em 2018, foi eleito deputado federal pelo PP com 119.034 votos. Em 2022, reelegeu-se pelo PL, partido do então presidente Jair Bolsonaro, com 239.772 votos.

Gestão na Segurança Pública

Derrite comandou a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo durante quase todo o primeiro mandato de Tarcísio de Freitas. Nesse período, o número de mortes provocadas por policiais militares em serviço subiu de 262, em 2022, para 357, em 2023, e 653, em 2024, segundo dados do Ministério Público de São Paulo compilados pelo Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp).

No ano seguinte, foram registradas 672 mortes em intervenções de policiais militares em serviço. Considerando também outras situações e agentes em serviço ou fora dele, o estado contabilizou 835 mortes decorrentes de intervenção policial em 2024, contra 542 em 2023, alta de 65%.

As Operações Escudo e Verão começaram em julho de 2023, depois do assassinato do soldado Patrick Bastos Reis, integrante da Rota, no Guarujá. As ações resultaram oficialmente em 84 mortes de civis e três mortes de policiais militares.

Relatórios da Defensoria Pública paulista, de grupos de pesquisa e do Instituto Vladimir Herzog reuniram relatos de abusos, tortura, invasões de domicílios e mortes. Também foram registradas denúncias de alteração de cenas de crime e obstrução de câmeras corporais por policiais militares. Em outubro de 2025, Derrite classificou as denúncias como “mentirosas” e “infundadas”.

O caso Gritzbach

Gritzbach era investigado por crimes relacionados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e havia firmado acordo de colaboração premiada com o Ministério Público. Em sua delação, citou integrantes da facção e relatou suspeitas de corrupção e extorsão envolvendo policiais civis.

O empresário foi ouvido pela Corregedoria da Polícia Civil em 31 de outubro de 2024 e morto oito dias depois, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Policiais militares faziam parte de sua segurança particular, e Derrite afirmou que eles já eram investigados havia cerca de um mês.

Em 2025, o Ministério Público denunciou 18 policiais militares por crimes relacionados ao caso. Três foram acusados de participação direta na execução, 14 de integrar a escolta pessoal de Gritzbach e um de falsidade ideológica e prevaricação.

A divulgação do nome e da fotografia de Kauê do Amaral Coelho, apontado como responsável por monitorar Gritzbach e avisar os executores, também gerou questionamentos. A defesa de Derrite afirmou que a divulgação ocorreu depois do cumprimento de mandados de busca e apreensão.

O julgamento dos três policiais acusados de participação direta começou em junho de 2026, mas foi anulado após os advogados dos réus deixarem o plenário durante um desentendimento com a promotoria. Um novo julgamento foi marcado para fevereiro de 2027.

Relatoria da Lei Antifacção

De volta à Câmara, Derrite foi relator do Projeto de Lei 5.582/2025, enviado originalmente pelo governo federal e transformado no Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, a Lei nº 15.358/2026.

A proposta criou novos tipos penais, aumentou penas para integrantes e líderes de facções e ampliou mecanismos de bloqueio e perda de patrimônio. Uma mudança apresentada por Derrite previa que a atuação da Polícia Federal em determinadas investigações dependeria de provocação ou solicitação das autoridades estaduais. A corporação afirmou que a medida poderia enfraquecer sua autonomia e prejudicar apurações de alcance interestadual e nacional.

Também houve críticas às alterações relacionadas ao Ministério Público, que poderiam privilegiar o inquérito policial como principal instrumento de investigação.

Saída do governo paulista e candidatura

Em 2024, Tarcísio de Freitas exonerou Derrite temporariamente para que ele reassumisse o mandato e relatasse o projeto que extinguia as saídas temporárias de presos. A proposta foi aprovada pelo Congresso após a derrubada do veto presidencial.

Em dezembro de 2025, Derrite deixou definitivamente a Secretaria da Segurança Pública e voltou à Câmara. Em 2026, deixou o PL, retornou ao Progressistas e lançou sua candidatura ao Senado no contexto da federação União Progressista, com apoio de Tarcísio de Freitas e alinhamento à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Sua atuação política permanece concentrada na pauta de segurança pública. Em 2026, ele integrou a comissão especial da Câmara que analisou a redução da maioridade penal e defendeu a medida com o argumento de que adolescentes seriam usados por organizações criminosas.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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