BRASÍLIA — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser diretamente associado à denúncia de que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria financiado o filme Dark Horse, cinebiografia internacional sobre Jair Bolsonaro (PL). O parlamentar nega a acusação e afirma que os recursos eram privados.
Mensagens, áudios, comprovante bancário e uma tabela de pagamentos indicariam uma negociação de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, para bancar a produção. Entre fevereiro e maio de 2025, pelo menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, teriam sido transferidos.
Questionado sobre o suposto financiamento, Flávio Bolsonaro respondeu que a informação era mentira. A negativa também foi registrada pelo GPS Brasília. O senador rejeitou qualquer ligação com Vorcaro.
Pressão política
A denúncia altera a linha de defesa adotada por Flávio no caso Master. O senador vinha responsabilizando o governo Lula e o Banco Central, além de defender a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o episódio. Com a suspeita sobre o filme, o debate passa a envolver uma possível relação direta entre o pré-candidato e o dono do banco.
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) já havia citado Marcello Lopes, publicitário responsável pela comunicação de Flávio. Gleisi afirmou que Lopes foi estrategista de um plano contratado por Vorcaro para atacar o Banco Central. Também acusou o senador de defender a CPMI em vídeo e permanecer em silêncio quando poderia atuar no Congresso.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que pedirá à Polícia Federal (PF) a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro. Ele também disse que solicitará ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio de bens do senador e do PL.
O deputado Pedro Uczai (PT-SC), líder da bancada do PT na Câmara, pretende pedir ao STF a abertura de inquérito sobre a relação entre Flávio e Vorcaro. Para ele, a denúncia aumenta a pressão pela CPMI do Master.
Na oposição, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) disse que o caso não atingirá a pré-campanha de Flávio. Ele chamou a expressão “BolsoMaster” de eleitoreira e afirmou não haver comprovação de envolvimento de políticos de direita no escândalo.
Banco Master e aliados
As liquidações do Master e da Reag afetaram cerca de 1,6 milhão de clientes. O conjunto formado por Master e Will Bank tem rombo estimado de R$ 47,3 bilhões.
Cabo Gilberto reconheceu que seria ruim manter Ciro Nogueira (PP-PI) no palanque de Flávio caso fosse comprovado o envolvimento do senador com o Master. Flávio já havia citado Ciro como nome com bom perfil para vice, e Valdemar Costa Neto reafirmou essa possibilidade nesta quarta-feira (13).
A produção do filme também envolve nomes ligados ao entorno bolsonarista. O fundo Havengate Development Fund LP, no Texas, aparece relacionado ao projeto e tem conexão com Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Mensagens também mencionam Mario Frias e intermediários nas negociações.
A denúncia não condena Flávio Bolsonaro, que nega a acusação. Mas a suspeita coloca a pré-candidatura na defensiva e transfere para seus aliados a tarefa de explicar a possível participação de Vorcaro no financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.







